COMO O ESPORTE GIRA EM TORNO DO MUNDO

Torcida à mineira
Belo Horizonte é a capital mundial dos bares. São mais de 10 mil espalhados pela cidade. Não é à toa que os botecos são o reduto preferido de torcedores de todos os cantos para acompanhar aos jogos do clube do coração.
É o encontro de identidades regionais: torcedores de clubes de outros estados que se reúnem para assistir a jogos em bares de Belo Horizonte, celebrando com um hábito tipicamente mineiro o prazer de vibrar pelo seu time.
Bar do Botafogo
Considerando cultura como um conjunto de costumes, tradições e hábitos, o historiador e professor da USP, Hilário Franco Jr., explica que, além de tentar compreender a confluência de identidades estabelecidas nesses bares, é importante também analisar o que leva um paulista, por exemplo, que vive há anos em BH, continuar torcendo pelo São Paulo ao invés de torcer por um clube mineiro.
Autor do livro A dança dos deuses: futebol, sociedade, cultura, Hilário explica que “a identidade clubística ajuda a marcar a própria identidade do indivíduo. Quando alguém sai de outra cidade para morar em Belo Horizonte, por exemplo, carrega vários elementos próprios da sua cultura de origem, do seu ambiente familiar, do seu antigo círculo de convivência”.
Bar do Flamengo
“No entanto, esse indivíduo não é completamente absorvido pela nova cidade, já que ali se torna difícil reproduzir alguns hábitos que ele cultivava em sua cidade de origem. O carioca não carrega a praia, o paulista não carrega a balada, o gaúcho não carrega o chimarrão nem o baiano carrega o acarajé”.
“É complicado, até mesmo por uma questão de logística, reproduzir esses costumes típicos em outra cidade. Porém, a paixão pelo clube, mesmo à distância, permanece, pois se trata de um ‘sentimento transportável’. E esse é talvez um dos elos afetivos mais fortes que continuam ligando o indivíduo às suas origens”.
Bar do Corinthians
“Mesmo incorporando hábitos típicos da cultura do belo-horizontino, como o ritual de frequentar bares, o torcedor mantém o elo afetivo com seu time do coração inabalado, pois, além de ser uma forma de remeter às suas origens, é a maneira mais expressiva que ele encontra de marcar sua identidade em seu novo habitat, diferenciando-se dos nativos”.
MAPA: localização dos bares de cada clube em Belo Horizonte
Bar do São Paulo
A primeira reunião geralmente acontece pela internet, através de redes sociais. Depois, a torcida do “clube de fora” vai em busca de um bar que possa recebê-la e transmitir os jogos do seu time.
Geralmente, ou o dono do boteco é torcedor desse mesmo clube ou tem visão de negócio apurada, já que a casa terá movimento garantido no dia das partidas.
Em média, cada bar recebe 100 torcedores por jogo. Esse número pode ser cinco vezes maior em dias de jogos decisivos.
“Os frequentadores desses bares provavelmente são muito diferentes entre si. Mas o elo que os une, o elo pelo futebol, consegue ser mais forte. Mesmo longe de casa, numa sociedade cada vez mais global e num ambiente onde a maioria torce por times distintos do seu, eles compartilham o sentimento de comunidade, de compaixão”, analisa Hilário.
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Veja fotos dos bares no álbum do Rola Blog no Flickr.
- Postado por: Breiller Pires às 11h30
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COMO O ESPORTE GIRA EM TORNO DO MUNDO

Nem tão saudável assim
Para abrir a nova série especial do RB, uma questão polêmica: esporte é sinônimo de saúde? Pergunta que, de óbvia, não tem nada

Muita gente responderia à pergunta sem hesitar: sim, esporte é sinônimo de saúde. Porém, muita gente também se esquece que esporte e atividade física têm significados distintos e, por consequência, objetivos diferentes.
É o que explica o médico e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luiz Oswaldo Rodrigues, uma das principais referências em fisiologia do exercício no país. “Esporte não é atividade física regular, moderada, lúdica, prazerosa. Ele incorpora a ideologia competitiva burguesa, está sempre buscando o limite do corpo humano”.
“Esporte não é sinônimo de saúde. É sinônimo de risco e lesão.”
Essa é a visão de um dos pesquisadores da área de educação física e saúde mais respeitados do Brasil. Luiz Oswaldo se afastou da medicina esportiva e, há quase cinco anos, não trabalha mais com atletas de alto rendimento. Ele conta que os anos de experiência com o esporte lhe renderam muitas desilusões e a certeza de que o esforço para quebrar limites e alcançar vitórias não compensa.
“Certa vez, fiz uma avaliação da seleção brasileira infanto-juvenil de vôlei. Dentre 54 atletas, 20% tinham lesões articulares que os incomodavam até mesmo numa simples caminhada. Se eles estão assim aos 17 anos, em início de carreira, imagina quando chegarem aos 40?”, questiona o médico.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera adequada a prática de exercícios físicos de intensidade leve ou moderada (caminhada, musculação, ginástica) por 30 minutos diários, pelo menos cinco vezes por semana. Para atividades mais vigorosas, como futebol ou basquete, por exemplo, 20 minutos diários, pelo menos três dias por semana.

No esporte de alto rendimento, entretanto, jogadores de futebol, ginastas, velocistas e nadadores extrapolam – e muito – as recomendações da OMS. Michael Phelps, por exemplo, nada em média seis vezes por semana. São 14 km em cinco horas diárias de treinamento. Para dar conta desse ritmo frenético, Phelps ingere em torno de 12 mil calorias por dia, seis vezes mais que o recomendado para um adulto normal.
Além de problemas com lesões, Luiz Oswaldo alerta que atletas de alto rendimento podem sofrer uma série de complicações devido ao excesso de treinos e jogos, como doenças cardiovasculares, insônia e falta de ar. É o que os médicos chamam de overtraining, quando não há descanso suficiente para o corpo entre os treinamentos, podendo ocasionar, inclusive, a perda de músculos.
“Andar de bicicleta, por exemplo, é mais arriscado que saltar de bungee jump, principalmente quando a prática é intensa, diária. Um médico que dá aval para atletas treinarem no ritmo que o alto nível exige é como se indicasse uma roleta-russa. Os riscos são tão grandes quanto”, compara Luiz Oswaldo.
Ouça trechos da entrevista com o médico Luiz Oswaldo Rodrigues:
ATIVIDADE FÍSICA X SEDENTARISMO
Apesar de não recomendar o esporte (competição + desempenho) a ninguém, Luiz Oswaldo reconhece que a atividade física, desde que moderada e devidamente monitorada, é fundamental ao bem-estar do corpo humano e indicada a qualquer pessoa.
Porém, no Brasil, apenas 16,4% da população pratica exercício físico com regularidade. Uma pequena amostragem, coletada em menos de um mês através de enquete no blog, mostra que a maioria dos leitores do RB se encaixa no perfil dos brasileiros que não se exercitam com frequência.
Uma realidade que preocupa o médico José Artur Medina, membro do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte da Unifesp (CEMAFE). Para ele, o sedentarismo representa uma ameaça tão grande que a prática de exercícios físicos deveria ser imposta pelo Estado.
“O governo, através de vários mecanismos, obriga o cidadão a pôr seus filhos na escola e a vaciná-los. O mesmo deveria ocorrer em relação à atividade física, que é uma das melhores ferramentas de promoção da saúde que temos”, argumenta.
Mas, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em 2008, o sedentarismo vem diminuindo no Brasil. Em 2006, 29,2% dos brasileiros eram sedentários. Em 2008, esse número caiu para 26,3%.
Ainda assim, boa parte da população ainda não pratica exercícios físicos como recomenda a OMS. E é justamente nas cidades maiores e mais industrializadas do país que os números dão o sinal de alerta.
Segundo Medina, esses números só vão começar a crescer quando o governo colocar a prática de atividade física regular por parte dos cidadãos como prioridade, pois, através dela, seria possível evitar uma série de enfermidades, como obesidade, hipertensão, problemas do coração e doenças respiratórias.
“O governo pode reduzir bastante seus gastos com saúde por meio da atividade física, mas, para isso, deveria rever conceitos. Investir em saúde pública não é construir hospitais, mas sim oferecer à população políticas que garantam seu bem estar. A atividade física é a principal delas”.
O MITO DA CURA PELO ESPORTE
Foi através da prática de exercícios físicos regulares que Aírton Graça, 26, diz ter se livrado das crises de asma que o acometiam desde a infância. Somente aos 21 anos, ele descobriu que a natação poderia valer por todos os remédios que havia tomado até então para tentar aliviar os sintomas da doença.
“Já faz cinco anos que nado três vezes por semana. De lá para cá, minha vida mudou. Nunca mais tive uma crise. Antes, subia as escadas para o meu quarto e deitava na cama com falta de ar. Hoje, participo até de provas de natação e me sinto muito bem”, revela Aírton.
No entanto, a médica especialista em Alergia e Imunologia, Fátima Emerson, afirma que natação ou qualquer outra atividade física não curam a asma. O que acontece, no caso da natação, é que sua prática fortalece a musculatura respiratória e trabalha a coordenação aeróbica. O paciente, contudo, só observa resultados se mantiver o tratamento com remédios.
“A natação não afasta a necessidade do tratamento e dos remédios. E a asma também não impede que o paciente pratique esporte ou atividade física. A melhor jogadora de futebol do mundo [Marta], por exemplo, é asmática. O exercício físico serve apenas como ferramenta para tratar a asma e outras doenças respiratórias”, esclarece Fátima.
- Postado por: Breiller Pires às 14h49
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COMO O ESPORTE GIRA EM TORNO DO MUNDO
Debate em Dia Olímpico: postagem coletiva
O esporte é capaz de transformar o mundo e a sociedade em que vivemos?
Para responder à pergunta, convoquei um time de blogueiros de primeira. Aceitaram a proposta sem hesitar e, em menos de uma semana, produzimos uma postagem coletiva que vem gerando debate de altíssimo nível na blogosfera.
A ideia da ação surgiu para marcar o Dia Universal Olímpico, comemorado hoje em todo o mundo. A data celebra a fundação do Comitê Olímpico Internacional, em 1894, pelo Barão de Coubertin. Além disso, o post coletivo abre caminho à nova série especial do RB.
Leandro Montianele, do Loucos por F-1, acredita ser um exagero dizer que o esporte pode mudar o mundo e a sociedade em que vivemos. Tal como o Gerson Sicca, do Limpo no Lance, que vai além e ainda faz uma crítica ao esporte de alto rendimento.
Por outro lado, Guilherme Freitas, editor do Blog da Comunicação, argumenta sobre a capacidade do esporte em promover integração social e unir diferenças políticas e ideológicas. Mesma linha de pensamento seguida por Alexandre Massi: “é muito mais do que uma atividade física”.
A maioria dos blogueiros utilizou o futebol como referência. Felipe Lessa explorou a relação do torcedor com o mundo da bola no De Primeira. Daniel Leite, do PDMB, trouxe à tona a questão do “falso Apartheid” no futebol sul-africano.
Já André Augusto, do Opinião F.C., pegou o gancho das duas Coreias classificadas para a Copa-2010 em “Onde o Norte reencontra o Sul”, que também foi abordado por Renan Ferrari, no Ligado na Bola: “o esporte, como tudo na vida, é bem e é mal. É felicidade e é tristeza. Mas acima de tudo, é tudo acima”.
Eduardo Zobaran, do Yougol, traçou um interessante paralelo entre mídias sociais, a figura da mulher e o futebol no Irã: “tudo aquilo vivido pelo esporte reflete de forma direta ou indireta na mecânica de nossas vidas(...)”.
Camila Paulos, editora do Respirando Futebol, e Lucas Martins, do Plantão Esportivo, voltaram no tempo e relataram o dia em que Pelé parou a guerra na África. Camila ainda acrescenta que “brasileiro que é brasileiro gosta de futebol! Que basquete e vôlei, que nada, o negócio é chutar a redonda, vibrar com dribles e gritar gol”.
Ao contrário dela, Priscilla Bar, no velocíssimo Guard Rail, prefere tratar do poder de mobilização do esporte com base em outras modalidades, sobretudo o automobilismo. Para ela, que vive na Espanha há algum tempo, “já não é só o futebol que move multidões”.
Além da Priscilla, teve mais gente batendo na tecla de outras modalidades esportivas. O flamenguista Leandrus citou em seu blog projetos sociais como uma forma válida de mudança advinda do esporte. Seu exemplo é o do judoca Flávio Canto, que mantém um Instituto para crianças carentes no Rio de Janeiro.
Projeto social também apareceu como tema no Café com Notícias, administrado pelo jornalista Wander Veroni. Ele foi conferir de perto a rotina numa escola de Ginástica Rítmica, em Belo Horizonte, que abre espaço para atletas da rede municipal de ensino conhecerem a modalidade. Guilherme Guimarães, do Ativa Esporte, destaca a parceria entre Chelsea e Adidas na periferia de Londres.
O Net Esportes ponderou a questão em “Os dois lados do esporte”, apontando exemplos pertinentes de atletas que se expressaram e lutaram contra o racismo através do esporte, como Jesse Owens e Tommie Smith. Por fim, João Henrique, do Filosofia Tática, propôs o “Plano Esporte”, com o objetivo de ressaltar o papel do esporte como formador de caráter na sociedade.
O Rola Blog lançou, ainda, a discussão no Brasigo e em enquetes pelo Orkut, que podem ser acessadas na comunidade do blog, da Copa do Mundo 2014 e dos Blogs esportivos.
Vale a pena conferir os links e participar também desse debate que tenta avaliar a real dimensão do esporte em torno do mundo. Assunto que vai permear a nova série aqui no blog, que já começa a ser postada na próxima quinta-feira.
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- Postado por: Breiller Pires às 22h56
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COMO O ESPORTE GIRA EM TORNO DO MUNDO
Para discutir o esporte em rede

Tentar apresentar e explicar as diversas formas pelas quais o esporte se relaciona com alguns segmentos da sociedade, sugerindo um novo modelo de jornalismo esportivo para a internet.
Essa é a principal proposta de “Como o esporte gira em torno do mundo”, a nova série especial de reportagens do Rola Blog, que começa a ser postada já nesta semana.
Para cumprir a missão, o RB pôs o pé na estrada e foi atrás de histórias que a cobertura da mídia esportiva tradicional não se interessa em contar. Utilizando-se de poucos recursos – uma simples câmera digital, um celular, gravador, bloco de papel e caneta na mão -, a série busca um outro olhar sobre o esporte.
A agonia do futebol de várzea nas grandes cidades e no interior, os modelos de investimento esportivo pelo mundo, a paixão pelo clube do coração que não impõe fronteiras, a saga de garotos que sonham em viver da bola, o engano que aproxima rugby e futebol americano da violência, outros discursos sobre a Copa que pode mudar o Brasil...
Esses são alguns dos temas que estarão em pauta ao longo da série, dividida em temáticas que envolvem o esporte em áreas como economia, cultura, política, saúde, educação e a sociedade como um todo.
Uma série estritamente pensada e planejada para a internet; para utilizar ferramentas voltadas à colaboração e à participação ativa por parte dos leitores, para aproveitar as possibilidades de interação que as mídias sociais oferecem e, de certa forma, alteram significativamente o formato do jornalismo online.
No fim das contas, “Como o esporte gira em torno do mundo” não se resume a uma série. Trata-se de um projeto editorial, que defende que o jornalismo esportivo pode e deve explorar melhor os recursos web para agregar mais vozes em sua cobertura.
Não deixe de acompanhar e participar dessa nova empreitada do RB, que só tem sentido com colaboração e, sobretudo, muita discussão.
Já no próximo post, que marca a abertura da série, o resultado de uma ação coletiva entre blogueiros, instigados a comentar a seguinte afirmação: “o esporte é capaz de transformar o mundo e a sociedade em que vivemos”.
Será mesmo? É justamente o que a série vai mostrar em mais de 10 postagens especiais, desafiando a lógica de pensar o esporte apenas como atividade física, como competição, como mero entretenimento capitalista.
O objetivo é ir além, aprofundar o fenômeno moderno chamado esporte. Esse universo paralelo que não deixa de girar em torno de nós.
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- Postado por: Breiller Pires às 10h59
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O que torna decadente um clube millionario

Muito se fala, no Brasil, principalmente entre os cruzeirenses, da atual hegemonia do Cruzeiro sobre o eterno rival Atlético-MG.
O Galo não vence a Raposa há 12 jogos, acumula longo jejum sem um título de expressão e vê o clube da Toca crescer cada dia mais, soberano em terras mineiras.
No entanto, o maior clássico da Argentina – e um dos maiores do mundo -, Boca Juniors x River Plate, vive um panorama semelhante. Faz tempo que o clube xeneize é quem manda em Buenos Aires e em todos os domínios de Don Diego.
O Super Clássico, como é mundialmente conhecido, ostenta até um repertório equilibrado: 121 vitórias do Boca contra 105 do River. Porém, o que se vê nos últimos anos é uma incontestável supremacia a favor dos xeneizes quando o assunto são títulos e conquistas internacionais.
O último título de Libertadores do River remete a 1996. De lá para cá, em compensação, o rival ganhou de tudo: foram dois Mundiais, quatro Libertadores, duas Sulamericanas, além de três Recopas Sulamericanas.
Apesar do primeiro semestre de 2009 não ter sido glorioso para ambos os clubes, os torcedores xeneizes tem menos motivos para sofrer.
O Boca foi eliminado nas oitavas-de-final da Libertadores e, no Campeonato Argentino, acabou sem chances de título. Entretanto, o clube já tem uma renovação encaminhada, que deverá ser conduzida pelo manager Carlos Bianchi. Investimento na base sempre foi prioridade em La Bombonera.
Já o River, que não passou sequer da fase de grupos da Libertadores e, no último Apertura, amargou a lanterna da competição, toma o rumo contrário. Desde a chegada de José María Aguilar à presidência, em 2001, o River contratou 107 jogadores.
Contratações contestáveis, diga-se de passagem, a exemplo da volta do veteraníssimo Gallardo e do alto investimento em Fabianni, que chegou ao clube pesando mais de 100 quilos. Só a título de comparação, o Boca, desde 2001, contratou 50 jogadores – menos da metade das contratações do River.
Entre os titulares, quase não há jogadores formados no clube. Craques revelados na base que antes desfilavam em Nuñez, como Aimar, Saviola, Cavenaghi, Mascherano, D’alessandro e Higuaín, pararam de surgir.
O River, conhecido como Millonario pelas altas quantias investidas no clube por parte dos sócios, na década de 30, hoje já não tem tanto dinheiro assim. E, o pouco que arrecada, acaba desperdiçado em contratações de risco e altos salários de estrelas que brilharam no passado.
Antes respeitado e temido por toda a América, o River Plate, hoje, se vê mergulhado em uma crise difícil de ser mensurada e, consequentemente, reparada. A mística da camisa, do time copeiro millonario, se foi há tempos.
Não é de graça que a própria torcida, num gesto de sinceridade, elegeu a equipe atual do River como o pior time da história. Uma história de tradição, que não pode acabar aqui, nem assim, muito menos com esse final.
- Postado por: Breiller Pires às 16h13
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PEQUENO GRANDE ENSAIO SOBRE A COPA-2014
Megaevento, hipocrisia e o malandro brasileiro
Se uma pessoa quiser angariar boas doses do meu desprezo, basta dizer que é terminantemente contra a realização de Pan-americanos, Olimpíadas e Copas do Mundo no Brasil, “porque este é um país corrupto, da roubalheira e da impunidade, e temos muitos outros problemas para resolver, e é inadmissível gastar dinheiro público com estádios e não sei mais o que, ao invés de investi-lo em hospitais, escolas e universidades”.
Fico revoltado com isso. E uso a educação como exemplo para explicar essa revolta, meu desacato à hipocrisia infundada.
Estudo numa universidade pública, bancada, evidentemente, por verbas públicas, tal como a Copa do Mundo de 2014 ou uma possível Olimpíada em 2016. Nessa universidade pública, boa parte – eu disse, BOA PARTE – dos alunos não cumpre o cronograma previsto do seu curso. Ou seja, não se forma no tempo previsto!
Salvo alguns casos de “intercambistas de fato” – aqueles que vão estudar um tempo em outra universidade, não aqueles que vão para passear, passar o tempo ou marginalizar seu trabalho a troco de alguns dólares e um ‘improve’ no seu inglês -, BOA PARTE não se forma no tempo previsto por malandragem ou por benefício próprio.
Trocam horas/aula pelos bares ao redor da universidade ou por um troquinho extra, através de algum estágio remunerado que estrangule seu horário – o que seria até aceitável, caso BOA PARTE dos alunos de universidades públicas do Brasil não fosse proveniente das classes A/B.
Se apóiam na brecha, no precedente aberto pela própria universidade, que permite ao aluno estender sua vida acadêmica além da cota prevista para o término do seu curso.
Onde eu quero chegar com esse papinho marxista?
A brecha que permite a um estudante apodrecer na ociosidade à base de dinheiro público é a mesma que permite a extrapolação de orçamento em um Pan-americano, a mesquinha barganha política na escolha das cidades-sede da Copa do Mundo. É a brecha que representa um patrimônio nacional do qual muita gente ainda se orgulha e exalta como sinônimo de status: a famosa malandragem brasileira.
Pois, à concepção da metáfora, um estudante de universidade pública que extrapola sua cota está, na verdade, extrapolando o orçamento público, dando a mínima para a grana revertida de impostos aplicada em sua formação acadêmica. 
Da mesma forma que políticos extrapolam orçamentos, da mesma forma que empresas privadas extrapolam e superfaturam licitações, da mesma forma que o povo dá seu jeitinho brasileiro de usufruir de alguma brecha. O precedente das universidades públicas e seus pupilos infecundos é só um exemplo.
Há outras tantas brechas arraigadas por aí. Feridas abertas de um Brasil (quase) sem lei. Nossos políticos são corruptos, sim. Mas, é triste dizer, nosso povo também.
É por isso que a hipocrisia de quem atira pedras sobre a Copa do Mundo de 2014, ou sobre qualquer pretensão brasileira de receber qualquer megaevento esportivo, é, em BOA PARTE dos casos, burra e cega.
Não entende que a culpa das mazelas tupiniquins é das pessoas, da índole fraudulenta e da gana intempestiva de sempre tirar proveito das coisas, e não da reforma do Maracanã, que vai custar milhões aos cofres públicos para bem receber a Copa. E não enxerga, sobretudo, o Brasil hospitaleiro e acolhedor, o Brasil empreendedor, o Brasil sem brechas nem classe intelectual em vacância, o Brasil do trabalho... O Brasil que dá certo.
Ainda que BOA PARTE torça contra e faça da vida uma tremenda picaretagem, uma nação não pode carregar para sempre o fardo do atraso e da mediocridade de sua classe representativa, de seus atores políticos. Que, convenhamos, é mero reflexo do povo e de suas práticas. E só vamos abrir nossos olhos quando começarmos a projetar a vista para o próprio telhado, observar ao redor.
O que corrompe o Brasil não é uma Copa do Mundo, não é a marca de país da floresta, do carnaval e do futebol. É a falta de senso crítico e autocrítico do brasileiro. A incapacidade de pensar que corrupção e incompetência políticas são apenas o espelho do seu jeito malandro de tirar proveito de tudo, até mesmo de bens que já o pertencem e ele sequer toma nota.
E o país do futebol, para muitos, não é digno de receber nem mesmo o maior evento da bola. Somos capazes do que, então, meu Deus? É, cada um tem o Brasil que merece.
- Postado por: Breiller Pires às 11h48
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Retorno magiar
Com bagagem repleta de glórias e grandes craques, a Hungria tenta voltar a uma Copa do Mundo e resgatar sua tradição no futebol
 Torcida húngara lota estádio para ver sua seleção rumo à Copa
A Hungria sempre foi mestra na arte de surpreender o mundo do futebol. Primeiro, com a revelação de craques como Kubala, Czibor e Kocsis, que brilharam no Barcelona nos anos 50.
Depois, comandada pelo maior dos craques húngaros, Ferenc Puskas, foi vice-campeã mundial em 1954. A derrota por 3 a 2 para a Alemanha Ocidental naquela decisão, que ficou conhecida como “O Milagre de Berna”, também pode ser considerada uma surpresa.
A Hungria jogava o melhor futebol da Copa, era favorita, ainda mais pelo fato de ter batido a própria Alemanha Ocidental por 8 a 3 na primeira fase. Na final, cedeu uma virada incrível, após sair em vantagem por dois gols.
Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, o país já ocupou o topo do ranking da Fifa, ganhou três medalhas de ouro com o futebol em Olimpíadas (52, 64 e 68), além de outro vice-campeonato mundial, em 1938.
No entanto, a última Copa disputada pela Hungria foi em 1986, no México. De lá para cá, os craques, que abundavam no passado, pararam de surgir, e o futebol húngaro entrou em decadência.
Mas a Hungria de tantas tradições quer surpreender novamente. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, a seleção húngara ocupa o primeiro lugar do grupo A ao lado da Dinamarca, com 13 pontos, deixando para trás Suécia e Portugal, de Cristiano Ronaldo, que somam apenas seis.
Nesses quase 23 anos fora de uma Copa, a Hungria nunca esteve tão perto da classificação. A boa campanha deve-se principalmente às boas atuações do meia Balázs Dzsudzsák, aos gols do artilheiro Sándor Torghelle e ao comando do técnico holandês Erwin Koeman, que assumiu a seleção em abril de 2008.
“Quando cheguei, minha primeira impressão da equipe não foi nada boa. Mas isso foi mudando rapidamente, pois todos os jogadores são muito profissionais e estão motivados a levar o país de volta a uma Copa do Mundo”, afirma Koeman.
Novo Puskas?

Destaque da seleção e do PSV Eindhoven, Balázs Dzsudzsák é uma das maiores promessas do futebol húngaro.
Dono de uma canhota habilidosa, o meia-esquerda de 22 anos chega a ser comparado na Hungria ao lendário Puskas, que brilhou no Real Madrid entre 1958 e 1967.
Dzsudzsák foi revelado pelo Debreceni, onde foi tricampeão da Soproni Liga, o campeonato local, e eleito melhor jogador do país em 2007.
Ao contrário de Puskas, quarto maior artilheiro da história da seleção húngara, com 84 gols, Dzsudzsák não é muito de balançar as redes. Marcou apenas um gol pela Hungria, num amistoso contra a Grécia no ano passado.
- Postado por: Breiller Pires às 01h09
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Com quantos pitacos se forma um corneteiro?

O comentarista esportivo, tal qual nos primórdios, quando ainda era visto como “O cronista”, é alvo dos estereótipos mais maldosos difundidos em torno do jornalismo.
Não é à toa, convenhamos. Salvo raras – raras mesmo! – exceções, a maioria deles, principalmente o filão que cuida do futebol, é pautada pela falta de criatividade e bom senso.
Cometem o erro de sempre: criticam e julgam o ato, ao invés de aprofundar em cima dos porquês.
O Cristian, do Corinthians, por exemplo, vai lá e faz gesto obsceno no meio do campo. O comentarista, de prontidão, vai julgar o ato: é certo ou errado?
Quando o principal seria tentar entender os motivos que levaram o jogador a mostrar o dedo do meio pra galera, a simbologia por trás do gesto, o contexto, as pressões impostas ao jogador...
O comentário, portanto, não agrega, não instiga o debate relevante. Julgar, ora, qualquer um é capaz.
Em meio a tantas incongruências e desacertos, dá até para classificar os tipos de comentaristas esportivos que existem por aí. Dentre eles, 8 categorias principais:
1 O Karl Marx - fala tudo para agradar as grandes massas. Não perde oportunidade de elogiar times como Corinthians, Flamengo e Atlético-MG, dizendo que tem a torcida mais fanática do mundo e que os árbitros sempre os prejudicam. É o tradicional puxa-saco das arquibancadas.
2 O Pelé - só sabe comentar futebol. Quando perguntado sobre outros esportes, embroma e volta ao arco da velha. Se o assunto é tênis, lembra de Guga e Roland Garros. No basquete, desenterra Michael Jordan. Na F-1, se escora no Ayrton Senna. Vôlei? "Vai dar, vai dar e acaba não dando..."
3 O “ONU” - nunca se compromete. É sempre neutro em todas as questões. Pra ele, tudo tem dois lados e todos tem razão. Palpite entre São Paulo x Abacatinópolis? Prefere não arriscar, pois, como já se sabe, não há mais time bobo no futebol.
4 O Hugo Chávez - não perde a oportunidade de criar polêmica. Às vezes, até conhece bastante a respeito de futebol ou qualquer outra modalidade. Todavia, opta apenas por destilar veneno e criticar jogadores, técnicos, dirigentes, massagistas. Neto, da Band, domina a arte.
5 O Fidel Castro - é sempre o "do contra". Não adianta argumentar: ele sempre está certo e pensa o contrário de todos. Gosta de impor suas ideias na base do grito e, mesmo completamente sem argumentos, tem a palavra final. "Rubinho > Schumacher e não se fala mais nisso."
6 O Platão - é um filósofo nato. Está sempre viajando para explicar o bê-a-bá do futebol. Busca referências em sociologia, história e filosofia baratas para arquitetar teorias em torno do universo esportivo. Cléber Machado é o maior expoente da espécie.
7 O Messias - tem a solução para tudo. Não entende como um técnico de futebol consegue mexer errado no time. Sabe como resolver todos os problemas do esporte. Quando inspirado, incorpora Mãe Diná e prevê o futuro. "A Copa 2014 será um sucesso, mas o orçamento vai estourar. Podem escrever!"
8 O Zé do Caixão - ressuscitar os mortos é com ele. O futebol de hoje já não tem mais graça e, por isso, seus comentários sempre remetem aos craques de 1980 para trás. Não sabe falar em tempo presente e ainda tem visões frequentes dos lendários Puskas e Friedenrich.
- Postado por: Breiller Pires às 12h08
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