Ingerência pública
Em ano de eleição, prefeituras se aventuram no futebol bancando times do descenso em Goiás. No Chile, presidente é dono de clube
Prefeito de Itumbiara veste o uniforme e ostenta troféu do time da cidade
Rebaixados no último Campeonato Goiano, Canedense e Itumbiara também vivem situação semelhante fora de campo . Ambos os times estão na mão de políticos locais e dependem de verba pública para sobreviver.
O primeiro é fruto de um projeto de campanha do ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso, que prometera criar um time profissional na cidade. De 2005 a 2007, a Canedense recebeu mais de R$ 500 mil da prefeitura, até o Ministério Público de Goiás vetar o repasse de recursos ao clube.
Para sustentar o time este ano, o presidente da Canedense, Júnior Caldas, ex-secretário municipal de esportes, recorreu a uma parceria com o cantor sertanejo Marrone.
Porém, o investidor prospectado pelo músico não honrou o compromisso de cobrir a folha salarial da equipe, rompendo o acordo no decorrer do Estadual.
Já o prefeito de Itumbiara e presidente de honra do clube homônimo, Zé Gomes, diz que nunca usou o futebol para fazer política, apesar de ser a maior fonte de receitas do time.
Quem paga IPTU em dia e à vista na cidade ganha um carnê para acompanhar os jogos do Itumbiara. Cerca de 30% dos mais de 5 milhões de reais arrecadados pela prefeitura com o imposto são destinados ao futebol.
Segundo Gomes, quase o mesmo valor que seria gasto para cobrar inadimplentes do IPTU.
“Não é a prefeitura quem ajuda o Itumbiara, mas sim o contrário. Nossa arrecadação subiu”, argumenta o prefeito. O contribuinte, no entanto, só voltará a ver o time numa partida oficial em 2011, na segunda divisão do Goiano.
NA COLA DO CACIQUE
 Além de enfrentar as consequências do último terremoto, o novo presidente do Chile precisa driblar críticas de parte da população do país.
Torcedor do Colo Colo, Sebastián Piñera também é acionista do fundo de investimento que administra o clube desde 2005. Justamente por isso, torcedores rivais do Cacique – como é popularmente conhecido o time do presidente – alegam que Piñera dará as cartas em favor do seu clube ao longo do mandato.
Uma de suas primeiras medidas à frente do poder foi nomear Gabriel Ruiz-Tagle, então presidente do Colo Colo, como ministro do esporte chileno. O estopim para despertar de vez a revolta nas torcidas adversárias, sobretudo do rival Universidad de Chile.
Tagle é o maior acionista do Colo Colo. Detém 24% das ações do clube e, juntamente com Piñera, ajudou a reestruturar o Cacique, faturando seis campeonatos nacionais.
Os chilenos não-alvinegros, entretanto, insistem que o presidente, um dos empresários mais ricos da América do Sul, prometeu em campanha abrir mão de todos os seus negócios que pudessem gerar conflitos de interesse no cargo.
Após um semestre na Presidência, Piñera, já se desfazendo de algumas empresas, reluta em abandonar o Colo Colo. Ele argumenta que não havia incluído o clube do coração entre suas promessas.
- Postado por: Breiller Pires às 15h04
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