COPA DO MUNDO 2010 - ÁFRICA DO SUL
Copas passam, elefantes ficam

Os “elefantes” da Costa do Marfim foram pra casa na primeira fase da Copa.
Já os elefantes nativos, facilmente avistados por turistas em safáris pela África do Sul, se juntarão a outros, enormes: “elefantes brancos” deixados como legado pela realização do Mundial no país.
Tudo bem que a África do Sul tenha mostrado bons exemplos para o Brasil organizar uma boa Copa do Mundo em 2014. Mas, definitivamente, a construção dos estádios não se encaixa nesse pacote.
O estádio Moses Mabhida, de Durban, por exemplo, deve servir mesmo como atração turística da cidade. Obra arquitetônica ousada, com capacidade para quase 70 mil torcedores. Ok, mas não seria exagero para uma cidade com apenas dois times de futebol na Primeira Divisão?
E o imponente Soccer City, de Johannesburgo, com seus 88.460 lugares, vai receber o quê? Ou melhor, vai receber quem?
A média de público da Premier League Soccer não passa de 8 mil torcedores por jogo, quase 10 vezes menos que a lotação máxima do Soccer City. Se forem utilizá-lo para o rugby, principal esporte do país, a média por partida sobe para 11 mil pessoas.
Apesar de cidades menores, como Nelspruit e Polokwane, terem recebido estádios com capacidade reduzida, a maioria das arenas da África do Sul não será sustentável.
Shows e eventos paralelos têm de movimentar essas instalações, que dificilmente vão gerar grandes receitas e lucro para os administradores – na maioria dos casos, o poder público sul-africano.
O Brasil se encaminha para viver o mesmo problema. Cidades como Manaus, Brasília e Cuiabá, que não têm times na Primeira Divisão – ou, no mínimo, torcidas de massa -, conseguirão dar utilidade a arenas com alto custo de manutenção depois da Copa?
Daí a importância de um planejamento de legado amplo, que não leve em conta questões político-financeiras, mas, sim, o interesse público.
Não há dúvidas da importância de se ter estádios em regiões onde o futebol ainda carece de mais investimentos. Entretanto, colossos e obras faraônicas, com capacidade para mais fantasmas do que pessoas, são totalmente dispensáveis no projeto 2014.
É só voltar ao caso Moses Mabhida. Uma obra-prima. Para a arquitetura, não pro futebol.
- Postado por: Breiller Pires às 20h18
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