COPA DO MUNDO 2010 - ÁFRICA DO SUL
Eles não torcem pelo Brasil
 Apesar do fracasso em Copas, torcedor tem suas razões para apoiar a Holanda
As TVs e os repórteres anunciam a todo o momento que, nesse país, batem 190 milhões de corações pela Seleção Brasileira. É a Copa unindo todos os cidadãos que vestem o verde-amarelo. Será?
Sem contar colônias de imigrantes e estrangeiros, tem muito brasileiro de nascimento estampando outras cores no peito e secando o escrete nacional na África do Sul.
“Muita gente, inclusive da minha família, acha que é falta de amor à pátria. Não é verdade. Amo o Brasil, mas torço pela Azzurra”, justifica Amauri Souza, 20, que ainda diz ter outros dois amigos que também adotaram a seleção italiana.
No seu caso, o Palmeiras, antigo Palestra Itália, não foi o motivo da virada de casaca. É são-paulino de carteirinha. Segundo ele, a desilusão com a CBF foi determinante em sua escolha.
“A CBF é uma máfia! Se você pegar a escalação de quem foi à Copa, vai ver que tem dois jogadores que atuam no futebol nacional. A escalação aqui depende muito se o jogador atua na Europa. Isso é triste”.

Mesmo com a eliminação precoce no Mundial, Amauri aproveita a deixa para fazer uma média em favor dos azzurris. “Há anos a Itália só convoca jogadores do seu próprio Calcio. O futebol italiano não é o melhor do mundo, porém passa mais emoção. Muitos jogadores começam num time e terminam nele”, argumenta.
Já o carioca Diego César garante que é torcedor da Holanda desde pequenininho. Ou, pelo menos, desde os oito anos. “Foi na Copa de 94, a única que torci pelo Brasil. De lá para cá, virei adepto do futebol holandês”.
Fã de Seedorf, da torcida laranja e do futebol-arte herdado da antiga Laranja Mecânica, Diego enumera outros pretextos para “trair” o movimento canarinho na Copa.
“Quando era moleque, via esse estilo sempre bonito de jogar da Holanda nas Copas e ficava impressionado. Hoje, torço ainda mais depois que conheci umas meninas holandesas aqui no Rio de Janeiro, na Lapa. Lindas e simpáticas”, exalta o pseudo-holandês, que sonha um dia conhecer o país e desfrutar das belezas de Amsterdã.
Mas foi justamente após visitar a terra de sua seleção adotiva que o mineiro Bernardo Almeida desiludiu-se. De 94 a 2006, torceu pela Argentina em quatro Copas.
Admirador do futebol de Batistuta, foi tomando gosto aos poucos pelas cores dos maiores rivais brasileiros. No entanto, conhecer o reduto dos hermanos o fez repensar sua identificação com o outro lado da fronteira.
Bar onde Bernardo se juntava a outros torcedores da Argentina em BH
“Me decepcionei logo de cara. Sempre vi a Argentina com uma certa mística no futebol, mas percebi que é exatamente igual ao Brasil. Até mesmo as reclamações de que todo jogador é mercenário”, lamenta.
Nesta Copa, Bernardo está torcendo pelo Brasil. Ao contrário de 2004, quando a Seleção Brasileira enfrentou a Argentina pelas Eliminatórias, no Mineirão, e ele estava lá, engrossando a barra quilombera adversária.
Ainda há casos bem exóticos de vira-casacas. Traficantes da favela da Rocinha, no Rio, por exemplo, teriam pintado a comunidade de vermelho e amarelo para apoiar a Espanha na Copa. O motivo? Represália ao Dunga por não ter convocado Adriano.
A camisa canarinho está longe de ser unanimidade no país do futebol. Dos filhos deste solo, patriotas somente os tradicionais.
- Postado por: Breiller Pires às 09h54
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