COPA DO MUNDO 2010 - ÁFRICA DO SUL
Doce dádiva de ser imprensa

O mal do jornalista é fazer da crítica sua principal ferramenta de trabalho. Muitos - senão a maioria -, que trabalham no futebol, se esbaldam do artifício da opinião.
Status na profissão é deixar de viver das ideias dos outros para viver das próprias ideias. Colunista profissional, geralmente acomodado com a sensação de intocável na arte de ponderar.
No entanto, crítica e crítico, sobretudo no imponderável meio futebolístico, têm seu valor. Até o momento em que o crítico extrapola fronteiras, e a crítica invade o pessoal, estipula questões cegas que nada acrescentam à apuração jornalística.
Fronteiras tênues, controversas e absolutamente sensíveis. Que carecem de reflexão e algumas doses de bom senso antes de serem desbravadas pelo crítico.
Criticar futebol exige mais responsabilidades do que parece. Não se trata, nesse caso, de cornetagem de torcedor. É o trabalho de quem porta uma credencial de imprensa a se honrar.
Jornalistas, colunistas e cronistas ainda se deixam levar pela crença nos Deuses da bola. E, assim, vestem a armadura de Deuses da crítica. Outro mal do jornalista é esquecer que, por trás do jogador, matador ou Imperador, existe o ser humano.
A série do Jornal Nacional, conduzida pelo repórter Tino Marcos e lembrada no blog É Muito Pênalti, do Marcelo Barreto, retratou exatamente o lado oculto dos 23 convocados da Seleção. Família, medo, fracasso, superação, dignidade... pessoa!
Ser pessoa obviamente não blinda ninguém do açoite pela crítica. Nem jogador nem treinador muito menos o próprio jornalista. Que tal então recolocar todos no mesmo barco da humanidade, da falibilidade?
Dunga reclama da imprensa. A imprensa reclama do Dunga. Combinemos!
Se o Brasil perder a Copa, o Dunga justifica os erros e admite prevaricação diante dos vários pontos de vista arrematados pela crítica da imprensa.
Se o Brasil ganhar, o jornalista/especialista que criticou a convocação - ou as não-convocações - pega seu microfone, dá a mão à palmatória e contemporiza seus equívocos de avaliação.
Dentro da probabilidade de cada situação se concretizar, ser imprensa é bem mais cômodo que ser técnico e jogador. Mas, como bom crítico, o colunista tem sempre uma justificativa na manga: “eles ganham bem pra isso”.
- Postado por: Breiller Pires às 10h49
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