UMA VISÃO DE MARKETING DO CENTENÁRIO
Da Democracia ao maior patrocínio do país

No ano do centenário, o Corinthians ainda não ganhou nada, mas pode comemorar a valorização de sua marca, pelo menos do ponto de vista da arrecadação com receitas publicitárias.
O primeiro patrocinador a estampar sua marca na camisa corintiana foi a Bombril, em 1982, quase um ano depois de a legislação esportiva brasileira liberar a propaganda nos uniformes.
Encabeçado por Washington Olivetto, que à época integrava a Democracia Corintiana, o departamento (informal) de marketing do clube fecharia acordo com a Cofap um ano mais tarde.
Tratou-se da primeira marca a ocupar também a frente da camisa do Corinthians, eternizada no manto alvinegro com a conquista do bicampeonato paulista em 1983.
Já na década de 90, a até então desconhecida Kalunga firmou contrato de patrocínio com o Timão. Em 1994, após o início do Plano Real no Brasil, a rede de papelaria e material de escritório pagava pouco mais de R$ 400 mil anuais ao Corinthians - fazendo a conversão sob a cotação do dólar na época.
O grande salto nas cifras veio com a Batavo - que pertencia à Parmalat, patrocinadora do Palmeiras -, em 1999. Contrato de R$ 5,4 milhões por ano. Com ela o Corinthians ganhou um Brasileiro e foi campeão mundial.
O patrocínio da Pepsi, selado em 2000, representou outro importante progresso para as contas do clube: R$ 10 milhões por ano. O acordo vigorou até 2005, marcando uma das parcerias mais duradouras no Parque São Jorge.
Nem mesmo quando caiu para a Segunda Divisão, em 2008, o Corinthians observou queda em seu faturamento com patrocinadores. A Medial não hesitou ao assinar um dos maiores contratos do país: R$ 16,5 milhões.
No ano seguinte, a Batavo desembolsou R$ 18 milhões para voltar à camisa do clube, mais que triplo do valor pago pela empresa na década anterior.
Para incorporar novas receitas, o marketing corintiano ainda inovou ao lançar, em 2008 e 2009, uma camisa patrocinada pela própria torcida. 400 torcedores pagaram cerca de R$ 1000 para ter sua foto estampada no uniforme do time, rendendo mais de R$ 4 milhões por partida - sendo uma a cada ano.
Hoje, o Corinthians ostenta o maior contrato de patrocínio do país, com a Hypermarcas: R$ 38 milhões anuais. Numa visão estritamente mercadológica, a marca Corinthians vale 100 vezes mais do que em 1994.
Evidente que o “fator Ronaldo” pesa nessa última grande efusão de merchandising. Mas, por outro lado, o clube não se tornou tão mais conhecido nacionalmente do que já era 10, 20 anos atrás.
O Corinthians experimentou o genuíno processo de valorização institucional e reconheceu a importância de sua marca. Falta só um estádio, para potencializar ainda mais a geração de receitas. E a Libertadores - para não perder a piada.
- Postado por: Breiller Pires às 00h10
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