ELEIÇÕES 2010
Copa eleitoreira
 Lula põe o time em campo para promover a “marca Dilma”
O mês de março irá marcar a definição do cenário político-eleitoral no Brasil. Enquanto o PSDB e a oposição vivem um dilema para lançar José Serra, o presidente Lula já escolheu sua candidata: a ministra Dilma Rousseff.
Desde o começo do ano, a dupla está em campanha pelo país. Lula sabe que não será fácil eleger sua sucessora, que nunca antes na história concorreu a um cargo público. Não domina, como ele, a arte dos palanques.
Matuto, Lula descobriu, no futebol, e principalmente na Copa do Mundo 2014, um dos principais trunfos para moldar a imagem carrancuda de Dilma e aproximá-la do seu eleitorado.
Sempre com a candidata a tiracolo em inaugurações de obras por diversos estados, Lula vende o discurso de que Dilma, além de mãe do PAC, é também a mãe da Copa 2014. Relaciona a imagem da ministra à Copa em praticamente todos os seus discursos e aparições públicas.
No fim do mês, os dois vão lançar, juntos, o PAC 2, elaborado especialmente para contemplar as obras previstas no projeto da Copa. Ambos destacam que a principal meta do PAC, daqui pra frente, é preparar as cidades-sede para o torneio.
Também estenderam, através de decreto, os programas assistencialistas do governo em prol do Mundial. Com o Bolsa Copa, policiais e bombeiros que irão trabalhar no evento vão receber complemento gradativo ao salário. Em 2014, o valor do benefício estará na casa de R$ 1 mil.
Além disso, já há um esforço por parte do presidente em aproximar a ministra do universo do futebol. Conhecido por torcer por vários times, dentre eles Corinthians e Vasco, Lula adota a mesma estratégia para Dilma.

Por ser mineira, se diz atleticana. Mas, há pouco tempo, recebeu homenagem no Beira Rio e vestiu a camisa do Inter. É colorada por gratidão. Foi criada e passou boa parte da vida no Rio Grande do Sul.
No ano passado, o Corinthians ofereceu apoio à candidatura de Dilma. Em contrapartida, Lula se comprometeria a ajudar o clube na construção do seu estádio. O presidente alvinegro, Andres Sanchez, ficou tão empolgado com a história que resolveu filiar-se ao PT.
O apelo futebolístico já virou carta marcada na agenda de Dilma. Deu até palestra sobre a Copa no Seminário Internacional de Futebol, que aconteceu há um mês, em São Paulo.
A ideia de Lula é tornar sua candidata conhecida através de uma marca. E, para isso, não há marca melhor que a Copa 2014 e a “paixão nacional”.
Caso Dilma seja eleita ao Planalto, a reeleição, em 2014, deve seguir a mesma linha estratégica, apoiada na realização da Copa. De quebra, a Seleção ainda pode faturar o primeiro caneco em casa. Prato cheio para a máquina pública...
A marca proposta por Lula à petista não é mero ato político. É uma jogada à parte, muito bem costurada fora do campo eleitoral. Outro “chapéu” pra conta do presidente, o torcedor mais racional desse Brasil.
- Postado por: Breiller Pires às 01h22
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