ANO IV
Passa rápido demais

Esse ano tem Copa do Mundo de novo. E todo mundo logo questiona, como em todos os anos de Copa: nossa, passou rápido demais! Apesar de querermos sempre esconder a idade e brecar o ímpeto das ampulhetas, quatros anos passam rápido demais mesmo. Voam.
E, neste dia, o Rola Blog completa quatro anos de vida. De vida, sim, por que não? Sempre digo que o blog, pra mim, é como um filho. A gente vê crescer, dá o maior trabalhão, te faz perder madrugadas e, mesmo sem tempo devido para cuidar, estamos sempre por perto.
Nesses quatro anos, o RB, além de filho mimado e custoso, foi também um grande companheiro. Quatro anos que passaram rápido, mas repletos de história.
Juntos, RB e eu assistimos o fracasso da Seleção e do quadrado mágico na Alemanha. Vimos, de pertinho, o Pan do Rio. Acompanhamos a consagração de um monstro em Pequim. Vivemos a emoção do futebol amador.
Choramos com a queda do nosso Vascão para a Segundona. E o tempo, generoso, fez com que as lágrimas se transformassem em inspiração para a volta.
Antes disso, o filho nascera do tempo livre da época de faculdade. Prematuro, fruto da inquietação e do desejo de tentar tratar o esporte de forma diferente, com o mais subjetivo dos olhares de quem nasceu chutando uma bola.
A faculdade ficou para trás. Trabalhos e ocupações profissionais tomaram o lugar das reflexões corriqueiras que alimentavam o blog. Venho me tornando aquele pai ausente moderno, que se preocupa mais com o trabalho do que com o próprio filho.
Já me perguntaram por que eu não encerro o blog, escasso de postagens, carente de atenção. Muita gente já se dispôs a ajudar, a colaborar com o crescimento do Rola Blog.
No entanto, sou pai ciumento. Arranjar babás para o filho não vem ao caso. Ele sabe que eu estarei sempre aqui, com alguma ideia, com alguma história nova para compartilhar.
Com ele, fiz amigos na blogosfera, descobri muita gente que também se desdobra para cuidar de seus “filhos”, gente que acredita no esporte. E, como em qualquer lugar, gente pedante, que vive de colocar defeito no filho dos outros.
Olhando para trás, o blog até que tem pouca idade, mas muito de mim. Um pouco da minha história. Que escrevemos juntos. Que passou a ser parte de uma nova história.
Quando chegar a próxima Copa, vou me sentir mais velho. Vou sentir vergonha do primeiro post. E posso até me sentir um péssimo pai, um blogueiro relapso.
Contudo, fica a sensação do dever cumprido. A partir de agora, me concentro na missão de plantar uma árvore e escrever um livro.
Mas prometo voltar aqui, sem hora marcada nem tempo previsto, para fazer um afago nesse garotão que me enche de orgulho.
- Postado por: Breiller Pires às 03h02
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