MEDIA TRAINING NO FUTEBOL
Falas cantadas
Técnicos e jogadores frequentam até aulas para medir as palavras diante dos microfones

Antes de reestrear com a camisa do Palmeiras, quando retornou ao clube em agosto, o atacante Vágner Love teve de treinar separado do restante do grupo alviverde.
Mas, para isso, nem precisou entrar em campo. O treinamento ocorreu nos bastidores. Love passou pelo famoso media training: serviço oferecido pelas assessorias em que atletas e comissão técnica são treinados para falar à imprensa.
A preparação, que vem se tornando moda dentro dos clubes de futebol, serve para evitar declarações embaraçosas, principalmente após derrotas e em situações de crise.
Antes de chegar ao alto escalão da bola, o media training já havia se tornado, no Brasil, um processo comum dentro de grandes empresas e no ramo político, desde o final da década de 80.
“A imagem do atleta precisa ser sempre preservada, e este é o principal papel não só do media training, como também do assessor de imprensa”, explica Gustavo Faria, assessor do volante do Atlético-PR, Rafael Miranda.
Não é à toa que falastrões como Romário, Túlio Maravilha e Viola estão cada vez mais extintos do meio futebolístico. Conheça alguns personagens da bola que utilizam ou já utilizaram o media training:
Vanderlei Luxemburgo, o político

Se orgulha em dizer que já fez dois media training. Para o técnico, é importante “entender o que vem da imprensa, como funciona o trabalho do jornalista. Numa coletiva, cada veículo tem interesses distintos. Um treinamento específico prepara para tudo isso. Aprendemos o enfrentamento da discussão”.
Considera que sua imagem melhorou após passar pelos treinos e admite ter mudado sua conduta para amenizar o relacionamento com a imprensa.
A possível entrada na política, como candidato a senador pelo estado do Tocantins, deve aumentar a frequência de Luxa às salas de aula das assessorias.
Vágner Love, o vira-folha

Em sua volta ao Palmeiras, passou por dois media training antes da coletiva de apresentação: um prestado por sua assessoria particular, outro pela assessoria do clube.
O motivo de tanta preocupação era o suposto fato de ele ter aparecido com uma camisa do Corinthians – que tinha seu nome, inclusive –, em 2005.
Foi feita uma simulação de coletiva de imprensa, em que os assessores sugeriram diversas explicações para Love fugir de uma possível saia-justa: que ele era muito jovem na época e não teria pensado na repercussão de atuar pelo rival; que não queria lembrar o passado, pois a torcida do Palmeiras iria ajudá-lo a esquecer o episódio; e que ele nunca vestiu a camisa do Corinthians, ninguém tem foto para provar.
Hernanes, o profeta

Vivendo má fase no clube e barrado em alguns jogos no fim da era Muricy, foi publicamente criticado pelo treinador e vaiado pela torcida do São Paulo. Passou por um media training para evitar respostas diretas ao Muricy e à torcida. Também foi orientado a ser mais comedido durante as entrevistas, já que coleciona frases do tipo:
“Campeões brasileiros são muitos, bicampeão é para poucos e tricampeão só a gente", dita na reta final do último Brasileiro.
“Deus parou o sol, a lua e todo universo para o homem vencer uma batalha. No nosso caso, o milagre foi ninguém mais ganhar para o São Paulo chegar”, mencionando uma passagem bíblica para explicar a reação tricolor este ano.
Questionado sobre as declarações inusitadas do jogador, Rodrigo Righetti, assessor do meia, afirma que elas não são fruto do trabalho de media training. “Não moldamos o discurso do atleta, apenas o orientamos. Hernanes também é diferenciado fora de campo. Tem senso crítico apurado e opinião própria”, diz.
- Postado por: Breiller Pires às 17h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Compartilhe:
___________________________________________________
|