Com quantos pitacos se forma um corneteiro?

O comentarista esportivo, tal qual nos primórdios, quando ainda era visto como “O cronista”, é alvo dos estereótipos mais maldosos difundidos em torno do jornalismo.
Não é à toa, convenhamos. Salvo raras – raras mesmo! – exceções, a maioria deles, principalmente o filão que cuida do futebol, é pautada pela falta de criatividade e bom senso.
Cometem o erro de sempre: criticam e julgam o ato, ao invés de aprofundar em cima dos porquês.
O Cristian, do Corinthians, por exemplo, vai lá e faz gesto obsceno no meio do campo. O comentarista, de prontidão, vai julgar o ato: é certo ou errado?
Quando o principal seria tentar entender os motivos que levaram o jogador a mostrar o dedo do meio pra galera, a simbologia por trás do gesto, o contexto, as pressões impostas ao jogador...
O comentário, portanto, não agrega, não instiga o debate relevante. Julgar, ora, qualquer um é capaz.
Em meio a tantas incongruências e desacertos, dá até para classificar os tipos de comentaristas esportivos que existem por aí. Dentre eles, 8 categorias principais:
1 O Karl Marx - fala tudo para agradar as grandes massas. Não perde oportunidade de elogiar times como Corinthians, Flamengo e Atlético-MG, dizendo que tem a torcida mais fanática do mundo e que os árbitros sempre os prejudicam. É o tradicional puxa-saco das arquibancadas.
2 O Pelé - só sabe comentar futebol. Quando perguntado sobre outros esportes, embroma e volta ao arco da velha. Se o assunto é tênis, lembra de Guga e Roland Garros. No basquete, desenterra Michael Jordan. Na F-1, se escora no Ayrton Senna. Vôlei? "Vai dar, vai dar e acaba não dando..."
3 O “ONU” - nunca se compromete. É sempre neutro em todas as questões. Pra ele, tudo tem dois lados e todos tem razão. Palpite entre São Paulo x Abacatinópolis? Prefere não arriscar, pois, como já se sabe, não há mais time bobo no futebol.
4 O Hugo Chávez - não perde a oportunidade de criar polêmica. Às vezes, até conhece bastante a respeito de futebol ou qualquer outra modalidade. Todavia, opta apenas por destilar veneno e criticar jogadores, técnicos, dirigentes, massagistas. Neto, da Band, domina a arte.
5 O Fidel Castro - é sempre o "do contra". Não adianta argumentar: ele sempre está certo e pensa o contrário de todos. Gosta de impor suas ideias na base do grito e, mesmo completamente sem argumentos, tem a palavra final. "Rubinho > Schumacher e não se fala mais nisso."
6 O Platão - é um filósofo nato. Está sempre viajando para explicar o bê-a-bá do futebol. Busca referências em sociologia, história e filosofia baratas para arquitetar teorias em torno do universo esportivo. Cléber Machado é o maior expoente da espécie.
7 O Messias - tem a solução para tudo. Não entende como um técnico de futebol consegue mexer errado no time. Sabe como resolver todos os problemas do esporte. Quando inspirado, incorpora Mãe Diná e prevê o futuro. "A Copa 2014 será um sucesso, mas o orçamento vai estourar. Podem escrever!"
8 O Zé do Caixão - ressuscitar os mortos é com ele. O futebol de hoje já não tem mais graça e, por isso, seus comentários sempre remetem aos craques de 1980 para trás. Não sabe falar em tempo presente e ainda tem visões frequentes dos lendários Puskas e Friedenrich.
- Postado por: Breiller Pires às 12h08
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