CLUBES DE FUTEBOL E OS ESPORTES OLÍMPICOS NO BRASIL
Missão Fla-Olímpico
Com mais de 20 anos de experiência em gestão de entidades esportivas e assessoria de imprensa a atletas, o diretor de marketing João Henrique Areias tem, agora, um verdadeiro ‘abacaxi’ nas mãos: salvar e resgatar o esporte olímpico no Flamengo.
Ele assumiu o departamento de esportes olímpicos do clube no final de janeiro, quando a crise financeira - que por pouco não fez com que atletas como Diego Hypólito e Jade Barbosa abandonassem o barco - estourou na Gávea.
Será que ele conseguirá reverter esse panorama? O próprio Areias é quem conta ao Rola Blog...
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RB: Nesses dois meses de trabalho com os esportes olímpicos do Flamengo, qual o diagnóstico inicial? A situação é mais grave do que você esperava ao aceitar o convite do Márcio Braga?
JH: A radiografia não é boa, mas o paciente é forte e vai resistir. Falta dinheiro, os principais profissionais pediram demissão e estamos levantando a situação com a ajuda de outros dois funcionários, coordenadores e técnicos das modalidades. Por isso, atualmente, o Flamengo está limitado a duas modalidades com atletas de alto rendimento: basquete e ginástica artística.
RB: Já há algum plano de ações definido ou alguma estratégia de curto prazo para reestruturar o esporte olímpico do Rubro-Negro?
JH: Primeiramente, precisamos conscientizar a sociedade do Rio de Janeiro da importância do esporte e do clube como formador de atletas e cidadãos. Já estamos em contato com clubes e federações para lançarmos o Movimento Olímpico do Estado do Rio de Janeiro, que está esvaziado desportivamente e economicamente.
Vamos oferecer às várias prefeituras do Estado do Rio de Janeiro projetos de parceria em que o Flamengo entrará com as instalações, a gestão esportiva, a marca, espaços publicitários etc., enquanto o parceiro ficará por conta do investimento financeiro e da gestão econômica.
RB: Existe uma previsão de custos anuais para manter as modalidades olímpicas no clube?
JH: Cada esporte terá um projeto englobando ação social, formação e alto rendimento. O custo do conjunto [projeto social + formação (atletas federados da base) + alto rendimento] varia para cada modalidade. Na ginástica artística, cerca de R$ 80 mil mensais, no basquete, R$ 200 mil. Cada esporte terá o seu projeto.
RB: Como o Flamengo se prepara para bancar essas despesas: parcerias com empresas privadas, divisão da verba destinada ao futebol ou um modelo misto de custeio?
JH: Vamos buscar apoio nas iniciativas pública e privada. As escolinhas podem ser outra fonte de receita. Mas não podemos esperar nada do futebol devido a nossa crise financeira.
RB: Até onde vai o interesse do clube pelos esportes olímpicos?
JH: Se você for ao ginásio do Flamengo, de manhã ou à tarde, verá crianças carentes encantadas com o Diego Hypólito, a Daniele, a Jade. São exemplos para elas.
Os atletas tem toda boa vontade em passar os segredos para estas crianças, a maioria exposta à situação de risco social. Não podemos deixar que exemplos como Diego, Daniele e Jade sigam para outros clubes e estados.
Acredito que o esporte olímpico é viável. No Flamengo, temos uma história rica em títulos e ídolos, que são os ingredientes para aumentar o mercado-consumidor. Parte do valor da ‘marca Flamengo’ foi construída com os esportes olímpicos. Não podemos nos esquecer disso.
- Postado por: Breiller Pires às 16h53
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