Ídolos pós-modernos do futebol Fotomontagem
 No rastro de Rogério Ceni, Bruno e Tiago tentam fazer nome e fama
Com a ida precoce de craques brasileiros para o exterior, e uma Seleção formada basicamente por jogadores de fora, o futebol nacional vive uma carência crônica de difícil solução: a necessidade do ídolo.
O que alimenta o futebol, além das rivalidades e da emoção do jogo em si, é a construção de mitos, ídolos e heróis de dentro para fora do gramado. Figuras que despertam a admiração de milhares, milhões de torcedores.
Hoje em dia, no entanto, é difícil encontrar jogador que consiga se firmar como ídolo inconteste de um clube brasileiro. É só se destacar, marcar gols decisivos e cair nas graças da torcida, para o craque despertar a cobiça e as cifras desleais do futebol contado em euros ou petrodólares.
É aí que surge um personagem que, outrora, se tratava da posição mais ingrata do futebol: o goleiro. Transformá-lo em ídolo tem sido a solução.
Apesar de muitos brasucas fazerem sucesso em balizas espalhadas por todo o mundo, como é o caso de Júlio César, Gomes, Doni e Dida, é bem mais fácil segurar um goleiro num clube do que um atacante goleador, um meia habilidoso.
O que aumenta consideravelmente as chances de uma torcida ter como ídolo o responsável por defender a meta do seu time. Rogério Ceni, do São Paulo, comprova bem a teoria.
Há quase 20 anos defendendo o Tricolor, Ceni está entre os maiores – senão o maior – ídolos da história do clube. Conquistou títulos que não acaba mais e fincou uma verdadeira marca no futebol brasileiro. Goleiro que não é só goleiro, mas, também, goleador.
Com 83 gols na carreira, entre cobranças de pênalti e de faltas, Ceni é o maior goleiro-artilheiro do mundo. Dono de um austero marketing pessoal, apoiado no valor da marcar “RC”, virou garoto-propaganda e é um dos jogadores que mais faturam com publicidade no Brasil. Placar Online
De fato, Rogério Ceni vem revolucionando o mundo da bola. Tanto que Armando Nogueira registra muito bem a imagem do que era um goleiro na era Pré-Rogério Ceni:
“A Rogério Ceni o futebol deve a transfiguração do goleiro. O que era um elemento marginal da equipe, com ele, passou a ser um termo essencial na equação do jogo. Antes dele, o goleiro vivia confinado à servidão da pequena área”.
Cansados do confinamento “à servidão da pequena área”, Bruno, do Flamengo, e Tiago, do Vasco, vem seguindo os mesmos passos de Rogério Ceni.
Até pela questão da rivalidade entre os dois clubes que defendem, se um marca gol na rodada, o outro se vê na obrigação de anotar o seu e não ficar para trás.
Pois, além de evitar, fazer gols rende prestígio, idolatria e muito crédito com a torcida. De suma importância, por sinal, quando se trata de uma posição em que o erro é iminente.
Isso sem contar aquele crédito básico na conta bancária, já que Rogério Ceni é a prova viva do goleiro-artilheiro que soube explorar a marca de fazer mais que a obrigação.
- Postado por: Breiller Pires às 19h01
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