"É o dia mais feliz da minha vida" Rola Blog
 Zé Evaristo, Lauro e o bem trajado Sarapó: personagens da várzea não escondem do rosto alegrias e emoções do futebol amador
Já parou pra pensar em qual foi o dia mais feliz da sua vida?
O dia em que ganhou uma bicicleta de Natal? O dia em que passou no vestibular? O dia em que conseguiu o primeiro emprego? O dia em que conheceu o amor da sua vida? O dia em que visitou Nova Iorque? O dia do próprio casamento?
Já imaginou, talvez, qual tenha sido o dia mais feliz da vida do Cristiano Ronaldo, atual melhor jogador de futebol do mundo?
O dia em que comprou sua primeira Ferrari? O dia em que assinou um contrato milionário com o Manchester? O dia em que saiu com a diva mais cobiçada de Barcelona? O dia em que canetou o Gattuso?
Nada disso importa agora. Pois, para o Seu Zé Evaristo, o dia mais feliz da sua vida foi o dia em que o time da sua comunidade foi campeão da Copa Itatiaia, maior torneio de futebol amador de Belo Horizonte.
Evaristo trabalha há 35 anos como auxiliar-técnico do Prointer, time de uma das maiores favelas da região metropolitana, o Morro do Papagaio.
Ontem, numa emocionante decisão por pênaltis, o Prointer conseguiu o título mais importante da sua história. Para alegria de cerca de 3 mil moradores da comunidade, que compareceram para prestigiar os “atletas do terrão”, e do Seu Zé Evaristo, que, com lágrimas nos olhos, logo após o jogo, não hesitou em dizer:
- Hoje é o dia mais feliz da minha vida!
Às vezes, alguma dose de realidade faz bem. Visitar uma favela, compartilhar um cotidiano marcado por dificuldades e superação, vivenciar uma tarde de domingo, sol quente e futebol de várzea. Rola Blog
É a realidade que não está ao nosso alcance, para a qual muitas vezes fechamos os olhos e não fazemos a mínima questão de nos misturar. A realidade, no entanto, bem mais humana do que a realidade alucinante de uma grande metrópole.
Lá no morro, o futebol ainda respira. Os jogadores, guerreiros, de fato, jogam por amor à camisa, em respeito à comunidade que representam. Choram, da forma mais sincera, a derrota e, sobretudo, a vitória. Pois, ganhar, no dia-a-dia da favela, não é um verbo conjugado com muita frequencia.
Os torcedores vão ao campo pelo simples prazer de ver futebol, ainda que o campo seja uma terra batida esburacada, o espetáculo não tenha lá muita pompa e o sol de 35ºC castigue a moleira.
O futebol amador é verdadeiramente celebrado com amor, e não de acordo com interesses e brigas por influências daquele universo da bola que se profissionalizou há tempos.
Um futebol que produz dirigentes amadores e não perde em nada por isso.
Dirigentes como o Seu Zé Evaristo, coitado, que deve ter uma bela de uma história de luta e perseverança pra contar. Humilde, porém, delegou à conquista do seu time, da sua comunidade, o título de dia mais feliz da sua vida.
- Postado por: Breiller Pires às 23h17
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