Concorrentes do esporte Fotomontagem

Que o esporte é uma forma de lazer e entretenimento das mais difundidas no mundo moderno, ninguém duvida.
No entanto, pouca gente tem se atentado para o fato de o esporte perder espaço, nas últimas décadas, para outras formas de entretenimento cada vez mais baratas e acessíveis a diversas classes sociais.
Quando o cinema ainda era privilégio de poucos e ainda não arrebatava filas e mais filas nas bilheterias, os norte-americanos de classes menos favorecidas jogavam basquete e ajudavam a criar, ali, a maior liga da modalidade no planeta.
Quando a televisão sequer existia no país, os brasileiros se contentavam em correr atrás de uma bola, fazendo com que, anos mais tarde, o Brasil se tornasse a maior potência mundial do futebol.
Hoje, entretanto, cinema e televisão, tanto nos EUA quanto no Brasil, são formas de entretenimento populares e relativamente baratas, enquanto basquete e futebol se tornam, pouco a pouco, artigos de luxo, produtos restritos.
Assistir a uma partida da NBA não sai por menos de US$ 150. Por aqui mesmo, oras, tem gente querendo cobrar R$ 200 por um jogo de futebol. Em suma: consumir esporte hoje em dia é algo caro.
Então, considerando a crise econômica mundial, e as tantas outras opções de lazer que se apresentam ao público a preços cada dia mais populares - cinema, teatro, viagens, televisão por assinatura, internet, videogames e Nintendos Wii -, qual será o perfil do consumidor de esporte daqui a uns cinco anos?
Alguém engessado no tempo, que gosta de pagar mais caro para se divertir? Ou um ricaço, extravagante, que não liga a mínima em desembolsar US$ 2.500 para ver o LeBron James jogar? Pois, do jeito que segue, o esporte, como forma de entretenimento, não será nada, nada popular.
É bom que entidades e dirigentes esportivos prestem mais atenção no tipo de mercado em que o esporte moderno se inseriu ou, na pior das hipóteses, foi forçado a se inserir.
Atualmente, um San Antonio Spurs não tem como rival só o Lakers ou o Boston Celtics. Um Real Madrid não concorre somente com o Barça. Nem mesmo o Corinthians com Palmeiras ou São Paulo.
O esporte, onde se incluem modalidades, clubes e atletas, briga por espaço com outros tantos do show-business. Briga por espaço com a Disney, com Madonnas e Britneys, com Lost, com novelas, com Hollywood, com Piratas do Caribe...
Briga por espaço e pela preferência de milhões de consumidores, que têm de escolher, no seu tempo livre, entre Manchester United x Juventus ou seriado na TV, entre Suns x Cavaliers ou estréia no cinema, entre domingo no Maracaña ou um videogame novo para os filhos.
Em tempos de retração econômica, escolhas e renúncias serão cada vez mais necessárias. E o esporte, que já não produz tantos ídolos a exemplo de Jordan e Pelé, tem pouco tempo para reagir e dizer que ainda é o melhor dos espetáculos.
- Postado por: Breiller Pires às 19h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Compartilhe:
___________________________________________________
|