Time de Segunda, faturamento de Primeira Fotomontagem
 Queda para Segunda Divisão pode representar divisor de águas para os grandes clubes brasileiros
O rebaixamento é o típico fantasma que não distingue camisa nem tradição. Qualquer clube, dos vinte que disputam a Série A do Brasileirão, está exposto ao pesadelo da Segundona.
Um pesadelo, no entanto, que parece não ser tão assustador assim. Cair, pelo menos no Brasil, é (ou deveria ser) algo normal, aceitável.
Num campeonato tão equilibrado quanto o Brasileirão, diferente de outras Ligas, como a Espanhola e a Inglesa, em que os grandes clubes terminam sempre entre os primeiros, ser rebaixado é um risco eminente.
Tanto que a maioria dos clubes tradicionais do país, a exemplo de Fluminense – que chegou à Série C, inclusive -, Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Atlético-MG, Corinthians e, mais recentemente, o Vasco, já passou pela epopéia do rebaixamento.
Nem por isso, é bom ressaltar, esses clubes deixaram de ser grandes ou foram largados ao esquecimento na Série B. Muitos deles aproveitaram a queda para se reestruturarem e tiveram exposição na mídia digna de time campeão.
Tanto Fluminense, em 1997, quanto Corinthians, dez anos depois, souberam tirar proveito da ausência na Série A, arrumaram a casa e conseguiram recuperar, sobretudo, finanças e receitas.


O Timão, talvez, seja o exemplo mais bem acabado de grande clube para qual a queda representou redenção.
Recuperou a estabilidade política, planejou; estruturou como nunca seu departamento de marketing; conseguiu bons parceiros e patrocinadores; investiu em produtos licenciados, no relacionamento com o torcedor; inovou, lançou camisa roxa e tudo mais.
Com faturamento em alta, conseguiu montar um ótimo time e uma comissão técnica de excelência, que levaram o clube de volta à Primeira Divisão.
Sem contar, ainda, a exposição de mídia que teve durante toda a Série B, superando, muitas vezes, rivais que atuavam na Série A. Seja na TV ou nos espaços dedicados em rádios, revistas e jornais, o Coringão passou 2008 em evidência na mídia.
Assim como acontece, agora, com o Vasco, recém-rebaixado à Segunda Divisão. O drama da torcida e a luta do time contra o descenso inédito expuseram a marca Vasco da Gama na mídia, o que atrai, antes mesmo do fim do ano, a atenção de novos investidores.
Para 2009, quando vai disputar a Série B pela primeira vez em sua história, o clube já conta com verba de R$ 7 milhões da Champs, fornecedora de material esportivo, e R$ 14 milhões da Eletrobrás, nova patrocinadora, valor quase quatro vezes maior do que o Vasco recebia da parceria com a MRV este ano.
Mesmo sem metade dos R$ 30 milhões em direitos de transmissão que teria direito se permanecesse na Primeira Divisão, o Time da Colina dispõe, para o ano que vem, de um orçamento muito superior ao de 2008.
Para o torcedor do grande clube, cair é inadmissível, uma vergonha. Entretanto, a queda representa sempre uma bela oportunidade de reconstrução.
O grande clube, independentemente da divisão, nunca perde prestígio nem mesmo cai de cotação no mercado publicitário. Dá, no máximo, um breve adeus à elite, para brilhar sozinho e sem concorrentes em outra divisão.
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“O dia em que o Vasco caiu”, no outro blog: http://breiller.wordpress.com
- Postado por: Breiller Pires às 17h30
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