SÉRIE ESPECIAL: BLOGS ESPORTIVOS
Blogs esportivos: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4
Deadline Getty Images/Fotomontagem

A série “Blogs esportivos” termina por aqui. Durante todos esses dias de postagens, o Rola Blog tentou mostrar um pouco mais da nova e crescente blogosfera esportiva, ressaltando sempre àqueles que estão por trás da produção de conteúdo independente.
Foram 30 entrevistas com blogueiros de todos os cantos do país e do mundo, além de especialistas em marketing e internet. Ao longo da série, muitos blogs foram descobertos, lidos e relidos. E, conseqüentemente, algumas constatações ficaram bem claras.
A maioria dos blogueiros que trata de esportes o faz por pura paixão, na base da raça, do esforço diário para atualizar o blog e da superação da falta de tempo, a fim de contribuir com as diversas opiniões que circulam pelo universo esportivo.
Por outro lado, nota-se, também, que a mesma maioria sofre do “efeito borboleta da mídia”. Tudo que passa na TV ou está escrito nas editorias esportivas dos grandes jornais é reproduzido nos blogs.
Raras as exceções que se diferenciam completamente do conteúdo pautado pela imprensa. É aí que entram os blogs dos torcedores, que, por tratarem da paixão, do fanatismo, acabam saindo, com louvores, do lugar comum enraizado nas páginas esportivas da internet.
Talvez, o grande desafio dos blogs esportivos daqui pra frente é conseguir fazer algo diferente do que faz a imprensa, tão saturada e cada vez menos atrativa aos leitores.
Blog não é lugar para pautas, setoristas, hora do fechamento, muito menos para tomar “furo” nos acontecimentos da rodada do fim de semana. É lugar para novas idéias, abordagens diferenciadas, debate e expressão de pontos de vista distintos e propostas inovadoras para o esporte.
Não há porque concorrer com a grande imprensa, nem mesmo com outros blogs esportivos que se multiplicam pela rede. Infelizmente, muitos blogueiros ainda vêm o blog do vizinho como concorrente, e não como parceiro.
De fato, a blogosfera esportiva ainda tem muito o que amadurecer. E esse amadurecimento só vem através da troca de idéias, do debate, da colaboração mútua entre blogueiros e, até mesmo, dos próprios leitores.
Tendo sempre em vista a necessidade de fugir do senso comum, da pauta imposta diariamente pela mídia. Gente disposta e com potencial pra isso é o que não falta na blogosfera esportiva.
- Postado por: Breiller Pires às 01h03
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SÉRIE ESPECIAL: BLOGS ESPORTIVOS
Ganhar dinheiro ou não, eis a questão Getty Images

Mais que um espaço para a livre difusão de conteúdo individual ou coletivo, os blogs vêm se configurando como alternativa de lucro para os blogueiros.
Desde agosto de 2004, quando o Google lançou o Adsense, serviço de anúncios por meio de cliques pagos, direcionado a blogs e sites, o mercado publicitário na internet abriu espaço para autônomos e desconhecidos.
Com o Adsense, qualquer blogueiro pode incluir uma lista de links em sua página, agrupando anúncios relacionados ao conteúdo do seu blog. A cada clique dos leitores nos chamados “links patrocinados”, ele fatura entre R$ 0,01 e R$ 2,00.
Há, ainda, a opção por outras fontes de receita para o blog, como os programas de afiliados do UOL e do Submarino, além de um sistema semelhante ao Google Adsense, o HotWords, que veicula anúncios em palavras-chave contidas no conteúdo da página associada.
Tornar um site ou um blog economicamente viável ou, simplesmente, lucrativo, é a essência do processo que tem sido chamado de monetização. O termo já se popularizou pela internet e já conta, inclusive, com páginas especializadas em dar dicas e revelar segredos àqueles que almejam faturar uma graninha na rede.
No entanto, a jornalista e editora de conteúdo colaborativo da Editora Abril, Ana Maria Brambilla, acredita que os blogs, especificamente, não surgiram para ser fonte de receita, mas, sim, de conteúdo diferenciado. Segundo ela, o simples fato de ter um blog está longe de caracterizar em si uma atividade profissional.
“Não acredito que blogs sejam lugares para se ganhar dinheiro. Pelo menos, por enquanto. Blogar é um adendo - para não dizer um adereço - à vida profissional ou pessoal de qualquer pessoa”, afirma.
Para Brambilla, muitos blogueiros se preocupam mais em monetizar o blog em vez de trabalharem o conteúdo que postam diariamente. O que, de acordo com sua visão, inverte as etapas de produção na internet e acaba minando as boas idéias que surgem na rede.
“É a carroça na frente dos bois. Desde que se começou a falar em monetização, blogueiros de toda a estirpe, principalmente os iniciantes, trataram de criar um blog para lucrar à base de (...)? Bom, eles não sabem exatamente do quê. Afinal, muitos deles não sabem o que publicar naquele espaço”.
“Ou seja, primeiro vem o desejo de fazer dinheiro. Depois, a preocupação com o conteúdo a oferecer. O motor do desenvolvimento acaba sendo a monetização, não a qualidade do produto final”, argumenta a jornalista. Nevblog.com

Persio Presotto, do Blog do PP, compara a monetização dos blogs ao merchandising feito por alguns jornalistas esportivos na televisão. Ele atenta para os limites éticos nessas práticas e ressalta o compromisso do blogueiro com o leitor:
“Escrever um texto sobre um clássico, por exemplo, e, no final, fazer menção a algum produto é antiético, um desrespeito com o leitor. Em lugar dos ‘merchans’, haveria espaço, talvez, para uma boa matéria sobre um assunto de interesse do público, como a corrupção no futebol”.
Já Arthur Virgílio, do blog Jogo Duro, até considera a possibilidade de fazer uma renda extra blogando. No entanto, ele afirma que ainda não encontrou a fórmula para começar a empreitada. “Já pensei em ganhar dinheiro com o blog, mas ainda não sei como. Quem souber, por favor, me avise”.
Talvez o argentino Guido Miñones, mentor do blog “El que no corre vuela”, possa dar uma dica ao Arthur. Não que ele ganhe dinheiro blogando. Porém, sabe de um blog que tem a fórmula do sucesso com a monetização na Argentina.
“Existe um blog esportivo por aqui que é excelente: o La-Redó. Há alguns meses, os donos do blog resolveram monetizá-lo. Como o blog é muito visitado, houve alguma repercussão. Tudo bem que eles não vivem só do blog, mas já é um avanço e me parece que estão indo bem”, conta.
O La-Redó alia anúncios do Google Adsense à venda de espaços para banners publicitários, como o da Heineken e do diário esportivo Olé. O blog é um dos mais visitados da Argentina e recebe cerca de 1000 comentários por dia.
O exemplo do La-Redó reflete de certa forma um maior amadurecimento do mercado publicitário argentino na internet em relação ao Brasil, que ainda não decolou no que diz respeito à propaganda na rede.
A partir dessa análise de mercado é que o editor-executivo da Máquina do Esporte, Erich Beting, avalia as possibilidades de investimento na internet brasileira:
“A internet começa, agora, a ser um lugar atrativo para investimentos publicitários. Teoricamente o espaço da rede é ilimitado. Porém, a busca por informação por parte dos internautas também é. Por isso, é preciso encontrar nichos interessantes de mercado para aí, sim, sair em busca de receita publicitária”, analisa.
- Postado por: Breiller Pires às 00h45
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