SÉRIE ESPECIAL: BLOGS ESPORTIVOS
Blogs esportivos: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4
Visão de marketing

Em entrevista ao Rola Blog, Beting avalia o panorama dos blogs esportivos no mercado da internet e aponta limitações e potencialidades deste recente nicho de informação na rede.
“Os blogs precisam conseguir respeito, audiência e repercussão”
RB: Na Europa, alguns clubes já contam com blogs mantidos por torcedores dentro de seus sites oficiais. O blog é uma boa ferramenta para estreitar o vínculo entre clube e torcedor?
EB: Sem dúvida. O interessante do blog é que, nessa era de informação a qualquer hora e em qualquer lugar, ele cumpre um pouco o papel da origem do jornalismo, que era a notícia passada de ouvido em ouvido, com a versão de uma pessoa sobre aquele fato. O New Journalism norte-americano, que era pautado pela isenção - ou tentativa de isenção -, vem sendo reformulado.
O blog, então, acaba sendo a via de escape para ter informação, mas com análise. E análise absolutamente pessoal, sem qualquer interesse comercial envolvido. Por isso mesmo os blogs de torcedores acabam sendo ótima ferramenta para ligar clube e torcida. Eles mostram ao torcedor a importância que o seu pensamento tem para o clube.
Mesmo que os pedidos deles não sejam atendidos, o torcedor se sente bem em saber que o clube abre espaço para ele xingar o lateral-direito reserva no site oficial, por exemplo. E, além disso, o bom blog de torcedor pode ser, também, uma fonte de informação até para jornalistas. Isso gera proximidade para o clube não só com o torcedor, como também com outros públicos.
RB: Blogs esportivos têm condições de chamar a atenção de patrocinadores e mostrar que o investimento nesse nicho virtual vale a pena? NeoImages

EB: O processo é absolutamente lento. A própria internet começa, agora, a ser um lugar para investimentos publicitários. Para conquistar publicidade, os blogs precisam conseguir audiência, respeito e, também, causar repercussão.
É por essas e outras que o anunciante se aproxima. Só que, ao mesmo tempo, quando isso acontece, a coisa muda de figura. O blog deixa de ser apenas um espaço virtual para manifestação de pensamento e se torna um negócio. E aí é preciso ter faturamento, estratégia, entrega etc.
Ainda acho que um blog, quando parte para a disputa de anúncio com as outras mídias, muda um pouco sua característica, que é a de ser algo puramente lúdico. E isso significa mais trabalho para o blogueiro, além de apenas postar e dar fluxo às discussões que surgem disso.
“O futebol toma conta de mais de 80% da TV aberta”
RB: Muito se discute sobre os limites éticos que envolvem merchandising e jornalismo. Como jornalistas esportivos consagrados, que hoje apostam nos blogs como renda-extra, podem explorar a publicidade em suas páginas sem ter de abrir mão da credibilidade?
EB: Lembrando-se sempre do princípio básico de um veículo de comunicação: o produto final não é o anúncio, mas a credibilidade. É a partir da credibilidade da informação que um jornalista conquista espaço no mercado.
E isso assegura audiência, que, por sua vez, leva à publicidade. O começo é difícil, mas é preciso ter em mente que o resultado vem no futuro. É preciso muito trabalho para se chegar a um Estadão, uma Folha, uma Globo, um Grupo RBS.
RB: A maioria dos blogueiros esportivos mantém suas páginas de forma amadora e, ainda assim, o futebol é quem predomina no conteúdo dos blogs. Por que os esportes olímpicos não ganham espaço sequer em páginas que não dependem de faturamento nem de audiência para sobreviver?
EB: Porque infelizmente essa é a realidade midiática do país. O futebol toma conta de mais de 80% de toda a programação esportiva na TV aberta, sem falar da TV fechada e das rádios. Teoricamente o espaço da internet é ilimitado. Mas a busca pelas notícias também é, e isso complica.
O fato é que um blog bem montado, em termos de conteúdo, sobre esportes que não o futebol, pode encontrar nichos interessantes de mercado e aí, sim, atropelar a concorrência na busca por receita publicitária. O que precisa existir, principalmente, são pessoas que disponham de tempo e interesse para discutir outros temas além do futebol.
A audiência será menor, é claro, mas a qualidade e a fidelidade do leitor podem ser muito maior, o que no longo prazo gera todos os benefícios que a princípio o blogueiro não se preocupa em ter, como audiência, receita publicitária etc.
- Postado por: Breiller Pires às 00h41
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SÉRIE ESPECIAL: BLOGS ESPORTIVOS
¡Soy Cuba!
Arquivo pessoal
 Castillo posa para foto ao lado da judoca
cubana Estela Rodríguez, medalha de prata nas Olimpíadas de Barcelona-92 e
Atlanta-96
“A blogosfera cubana vem crescendo bastante. É diversificada e,
sobretudo, povoada, em sua grande maioria, por páginas enriquecedoras. Não há
muito espaço para futilidades, tampouco para os temas que empobrecem nossa
espiritualidade”.
Quem banca essa afirmação é o jornalista cubano José Raúl
Castillo, apaixonado por esportes e seguidor de carteirinha do beisebol
caribenho. Em agosto de 2006, Castillo se propôs a uma aventura. Criou um blog,
o Infodeportivas.
Pode parecer exagero, mas, segundo ele, ter um blog em Cuba é
realmente um desafio daqueles. O jornalista afirma que há diversos blogs
espalhados pela Ilha, porém, alguns fatores ainda limitam o crescimento da
blogosfera e da própria internet local.
“Esse bloqueio obcecado dos Estados Unidos a Cuba tem inegável
impacto em nossa internet. Eles negam a Cuba o acesso ao cabo de fibra ótica,
que possibilitaria um crescimento expressivo na transmissão de dados e na
qualidade de conexão”, alega Castillo.
Ele argumenta que o país depende de uma limitada conexão via
satélite, inviabilizando o acesso por parte de toda a sociedade cubana. Os
poucos que conseguem esse privilégio, ainda têm de racionar o tempo de
permanência na rede.
“Alguns
profissionais, como no meu caso, que sou jornalista, fazem um requerimento ao
governo e recebem uma cota de utilização. Eu, por exemplo, disponho de apenas 80
horas mensais. Logo, minha movimentação pela rede tem de ser muito rápida e
eficiente”.
Mesmo com menos de três horas diárias de conexão, Castillo arruma
tempo para atualizar o seu blog diariamente. Todos os esportes praticados em
Cuba ganham espaço no Infodeportivas. Mas quem ocupa lugar cativo, sempre, é o
beisebol. Até porque...
“A primeira coisa que um cubano faz na infância é jogar beisebol.
Só a genética para explicar. É o esporte nacional, assim como o futebol é no
Brasil”, explica.
Arquivo pessoal
 Para quem pensava que esporte na Ilha de
Fidel se resume a beisebol e boxe, a bola corre solta pelos gramados
da pequena Santiago de Cuba num joguinho de
futebol
Questionado sobre os êxitos cubanos em diversos
esportes, Castillo acredita que a fórmula do sucesso está centrada em dois
pilares: massificação e políticas públicas voltadas para a prática
esportiva.
“De
um lado, temos uma política comprometida em colocar o esporte ao alcance de toda
a população cubana. Do outro, um sistema de instituições que abrange todo o
país, com aporte técnico de alta qualificação, encarregado de descobrir e
desenvolver talentos esportivos. Sem dúvida, se trata de um modelo bem
sucedido”.
Castillo
cita sua cidade natal, Santiago de Cuba, localizada na porção leste da Ilha,
como exemplo bem acabado da política esportiva cubana.
Ele conta que,
além das belezas históricas e naturais, Santiago é marcada pela tradição em
formar grandes atletas e por ser o berço de inúmeros torneios e competições
realizadas no país. E, como bom aficionado, Castillo não perde um só
jogo.
“Sempre
que tenho oportunidade, assisto a tudo quanto é evento esportivo que ocorre por
aqui. Aproveito essa dualidade de jornalista e torcedor para acompanhar as
competições ora como narrador nas transmissões televisivas ora como mero
espectador, vibrando com os atletas locais”, gaba-se o
cubano.
- Postado por: Breiller Pires às 00h34
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SÉRIE ESPECIAL: BLOGS ESPORTIVOS
Conexão
internacional
Clustr Maps
 Fora do Brasil, cultura de blogs esportivos também
se espalha rápido e já conta com adeptos do mundo
inteiro
O jornalista espanhol, Rubén Uría, 32, é dono de um dos blogs de
futebol mais comentados na terra do rei Juan Carlos. “El Hacha de Rubén
Uría” surgiu, segundo o próprio autor, como
método de pôr em prática o hobby de falar e escrever sobre futebol. Hobby que os
mais de dez anos de militância no jornalismo haviam deixado
adormecido.
“Comecei com o blog para aliviar tensões do dia-a-dia e extravasar
minhas frustrações jornalísticas”, brinca.
Uría mora e trabalha em Madrid, capital da Espanha. Ele afirma que
dedica cerca de três horas por dia ao blog e que não ganha nenhum centavo com
isso. Mesmo assim, o jornalista acredita ser importante levar o projeto à
frente.
Para ele, a oferta de informação sobre esportes na Espanha anda
muito empobrecida e sem qualidade, o que faz com que leitores, ouvintes e
espectadores do país tenham de buscar outras opções em mídias diferentes.
Sobretudo na internet e, principalmente, nos blogs.
“Há exceções, mas, em geral, a imprensa esportiva espanhola deixa
a desejar. Conseguem piorá-la a cada dia. Ler algo interessante sobre esportes
nos jornais especializados é raridade. Quem quer qualidade tem de buscar nos
jornais generalistas. Jornais como As, Marca e Sport começam a entediar”,
avalia.
O jornalista acredita que os blogs esportivos espanhóis são uma
alternativa a esses jornais especializados que já têm alguma tradição no país e
diz, ainda, que a cultura blogueira, assim como no Brasil, é recente e não pára
de crescer.
“Temos muitos blogs esportivos por aqui [na Espanha], e cada dia
mais e mais. Aos poucos vai se formando essa cultura blogueira, que começa a
ganhar, inclusive, jornalistas consagrados”.
“Mas continuo achando que há muita gente postando com tanto
talento quanto os jornalistas e, em algumas ocasiões, com muito mais, diga-se de
passagem. Isso porque esses blogueiros escrevem com liberdade, sem rédeas”,
acrescenta.
Para avaliar a blogosfera esportiva e acompanhar sempre os novos
talentos que surgem pela rede, Uría resolveu criar em seu blog o “Ranking
Blogs”. Todo o mês, o jornalista vasculha uma centena de blogs esportivos, tanto
da Espanha quanto de outros países, e forma uma lista com os
melhores.
Um ranking sem muito critério formal. Vai de acordo com o gosto e
a preferência do autor. Para Uría, o melhor blog da rede no momento é o
“Diários de
Fútbol”, um blog espanhol que preza pelo trabalho
em equipe. São mais de 10 autores postando
diariamente.
Com o “El hacha...” na rede desde 2006, Uría revela que só agora
começa a criar um certo carinho pelo blog. Em meio a uma pilha de textos para
postar, e alheio às “dores de cabeça” para manter o espaço atualizado, o
jornalista valoriza acima de tudo o prazer em escrever sobre o que gosta e a
relação direta que mantém com seus leitores.
“Escrever sobre jogos históricos me agrada bastante. Relembrar o
futebol do passado é o que eu mais gosto, e acredito que os leitores também
gostem. É muito legal, também, sentir o ‘feedback’ de quem lê. Com isso, acabo
virando amigo de muitos leitores”.
ATRAVESSANDO A FRONTEIRA
AFA

“Futebol aqui na Argentina é paixão. Algo que eu duvido que vocês,
brasileiros, tenham (risos)”.
Quem vê um argentino afirmar isso com tanta convicção, logo pensa:
“mas que brincalhão, hein?”.
Porém, brincalhão é mesmo o melhor adjetivo para definir Guido
Miñones, 21. O argentino, que vive na cidade de Vicente López, localizada a 15
quilômetros da capital Buenos Aires, aproveitou seu bom humor para criar um blog
descontraído sobre futebol: “El que no corre vuela”.
Miñones conta que começou o blog em março de 2006. Segundo ele,
nessa época, os blogs ainda não eram moda na Argentina. Foi seu irmão Dario quem
sugeriu a criação do blog. Miñones, então, decidiu pôr a mão na massa – leia-se
mouse.
A princípio, ele afirma que era mais sério e contido nas postagens
do blog. Falava do futebol argentino em geral, sem deixar extravasar uma piada
sequer. Mas, como o blog costuma ser o reflexo da personalidade de um blogueiro,
o lado cômico de Guido Miñones não demorou a aflorar.
“Sempre gostei de tratar das coisas com alegria, com bom humor.
Fui dando uns toques mais divertidos no texto e, aos poucos, os leitores
começaram a comprar esse espírito. Hoje, de cada três posts, pelos menos dois
têm algum toque humorístico”, diz.
Miñones acredita que, apesar das boas performances argentinas em
outros esportes, como basquete, tênis e rugby, o futebol segue como prioridade e
paixão nacional. Ao contrário do que muitos pensam aqui no Brasil, os vizinhos
ainda não têm uma cultura tão multi-esportiva assim.
“Não dá pra negar que, depois das conquistas do basquete, há algum
tempo, e do rugby, no último ano, o futebol começou a dividir espaço com essas
outras modalidades. O tênis, também, sempre foi um esporte que agradou muito aos
argentinos”.
“No entanto, essas modalidades são coisa de moda. São vistas
apenas quando há Olimpíada ou algum campeonato mundial e, depois, ninguém mais
vê nos próximos quatro anos. O futebol é diferente. As pessoas acompanham, vão
aos estádios todos os finais de semana, largam tudo pelo futebol sem receber
nada por isso”, argumenta.
Com toda essa paixão, Miñones, que é torcedor do Huracán, só
poderia tratar mesmo de futebol em seu blog. Ele diz, entretanto, que não é só o
gosto pela “pelota” que o faz escrever. Assim como Rubén Uría, o argentino vê a
imprensa esportiva de seu país um tanto quanto superficial
demais.
Daí,
então, surge a motivação para manter o blog: a certeza de estar contribuindo
para uma abordagem mais rica e relevante do esporte
argentino.
“Por
aqui, hoje em dia, é difícil achar algo que preste na imprensa esportiva. O
principal diário do país [Olé], por exemplo, tem muito conteúdo inútil. É aí que
muita gente acaba optando pelos blogs, onde é possível encontrar pontos de vista
diferentes, que fogem da mesmice e da monotonia dos jornais
diários”.
- Postado por: Breiller Pires às 00h00
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