Dona da bola

Muita gente tem questionado o Mundial de Clubes da Fifa. Quase ninguém concorda com a atual fórmula de disputa do torneio.
As opiniões podem até divergir um pouco, mas é quase consensual a idéia de que o nível da competição anda muito baixo. Na imprensa, principalmente, não há quem entenda porque a Fifa permite uma partida como Sepahan e Etoile du Sahel.
Alguns acreditam que o Mundial precisa de mais times grandes, com craques e estrelas. Cogitam até mesmo a hipótese de os campeões da Sul-americana e da Copa da Uefa terem direito a participar da competição, para elevar o nível.
Outros remontam ao passado. Preferem o Mundial disputado somente entre dois clubes, um da América do Sul e outro da Europa, em jogos de ida e volta como ocorria até 1979.
Mas a verdade é que poucos se esforçam para entender o real significado desse Mundial, disputado por equipes de todos os continentes.

Com essa fórmula, a Fifa quer dar projeção e cada vez mais popularidade ao futebol. Não importa se um jogo entre Waitake United e Urawa Red vai ser uma pelada ou se o goleiro de uma das equipes não sabe que agarrar bola recuada é tiro livre indireto.
A idéia é universalizar o futebol e permitir que equipes da Nova Zelândia ou da Tunísia enfrentem um Milan, um Boca Juniors, um São Paulo ou um Barcelona. Se um dia surgir o time do “Blue Ice Soccer”, na Antártida, certamente a Fifa irá convidá-lo para o torneio.
O fator econômico, como sempre, é outro ponto importante para manter o Mundial no continente asiático, mais precisamente no Japão.
A Toyota, patrocinadora oficial do torneio, é japonesa. Inclusive, uma das três cidades-sede da competição é a Toyota City. Outra montadora de automóveis, a Hyundai, também entra na parada. A empresa sul-coreana é uma das patrocinadoras da Fifa e tem grande interesse na permanência do Mundial na Ásia.
Além disso, os japoneses estão cada dia mais empolgados com o futebol e costumam comparecer em peso a esse tipo de evento. O jogo entre Urawa, time da casa, e Milan, com estádio lotado, simboliza a crescente paixão oriental pelo esporte mais popular do mundo.
Por todos esses aspectos extra-campo, dá pra ver que a Fifa não é boba, nem joga para perder. Dona da bola, a entidade quer, antes de futebol-arte, apelo de mídia em todos os continentes, além da certeza de que, no final de cada ano, a palavra “prejuízo” vai passar longe do cofre.
- Postado por: Breiller Pires às 21h32
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Red Bull não dá asa à cobra

Futebol, Fórmula 1, Stock Car, skate, surfe, atletismo, vôlei de praia, mountain bike. A austríaca Red Bull, maior fabricante de energéticos do mundo, com faturamento anual de 21 bilhões de euros, faz questão de marcar presença no esporte.
Além de investir em diversas modalidades, a empresa também organiza seus próprios eventos, como a corrida aérea, que veio ao Brasil este ano. Com uma agressiva filosofia de marketing no esporte, a Red Bull já contabiliza duas equipes de Fórmula 1, uma de Stock Car e dois times de futebol.
Cada vez mais, a marca austríaca se entrelaça com o esporte. Nem por isso pode-se dizer que o produto que ela oferece é relacionado com qualquer competição ou atividade física.
Afinal, um energético à base de cafeína, altamente diurético, não tem lá muito a ver com o princípio de alto rendimento esportivo.
Apesar dos esforços de publicidade da empresa, afirmando que o produto age no organismo poupando reservas de carboidratos, ideal para ser consumido antes de exercícios de longa duração, os grandes atletas não suscetíveis.
Nenhum deles quer correr o risco de sofrer com uma desidratação durante uma prova ou com algum outro tipo de “efeito colateral”, como insônia ou problemas gastrointestinais, ao longo de uma competição.
Pergunte se o Franck Caldeira bebe Red Bull antes de uma maratona. Será que o David Coulthard, piloto da RBR, aprecia uma latinha antes de pilotar por quase duas horas em um GP? Ou será que o Kaká, craque do Milan, repõe suas energias com uma dose do energético após as partidas?
A resposta é um não lacônico. Atleta profissional, de alto nível, consagrado, não tem no energético a chave de seu sucesso. Ele aposta no planejamento da preparação física, da dieta balanceada, dos suplementos alimentares, da reidratação. Para esse atleta, Red Bull não dá asa alguma.
A partir daí, se estabelece o choque de imagem. De um lado, a imagem que a Red Bull quer passar, com muita propaganda aliada ao bom desempenho de atletas e equipes esportivas. Do outro, sua real colaboração no esporte profissional: bebida completamente dispensável no alto rendimento.
Em miúdos, o energético só dá asas mesmo à atleta amador ou a peladeiro de fim de semana, seguros de que esse “doping-light” aumenta seu rendimento, diminui o cansaço e o faz agüentar mais cinco minutinhos.
Nada mal para a Red Bull, que comprova dia após dia sua competência de marketing e sua fórmula publicitária de sucesso. Logo, logo vão começar a investir, não só no esporte, como também nos Alcoólicos Anônimos.
Há quem diga, por esse vasto mundo ilusório, que a bebida inibe os efeitos do álcool em seus organismos. Devem ser os mesmos que acreditam nos super-poderes da latinha azul-prateada, capaz de transformar sedentários em incansáveis num simples gole.
- Postado por: Breiller Pires às 17h41
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Artilheiro que caiu

Josiel, artilheiro do Brasileirão 2007, com 20 gols.
Josiel, o primeiro goleador da história do campeonato a cair com seu clube para a Segunda Divisão.
Mas, apesar da queda, Josiel é o cara. Cara de sorte. Rodou o Rio Grande do Sul e não conseguiu grande projeção. Foi para o Brasiliense, onde disputou a Série B no ano passado e marcou 8 gols.
Até aí, nada demais. Uma carreira sem badalação. No entanto, o Paraná Clube resolveu apostar no rapaz.
Josiel voltou ao Sul para disputar a Libertadores, foi bem, continuou para o Brasileiro e termina o ano em alta, ao contrário do clube tricolor.
Com status de matador, ele já foi vendido ao Al-Wahda, dos Emirados Árabes, por quase R$ 9 milhões e, de quebra, escreveu seu nome na história do futebol nacional ao lado de craques como Romário, Zico e Reinaldo.
Afinal, ninguém é artilheiro do Brasileirão de graça.
Ao Paraná, fica o consolo de ter feito, pela primeira vez em sua história, um goleador da Série A.
Na enquete do Rola Blog, sobre quem seria o artilheiro da competição, Josiel recebeu mais de 50% dos 21 votos. Em justa homenagem, fica registrada a figurinha do matador-revelação.

Quem é? JOSIEL da Rocha
Procedência: 07/08/1980 – Rodeio Bonito (RS)
Quem paga seu salário? Al-Wahda (EAU)
Função: Atacante
Avaliação técnica do blog: 7,5
Tem história pra contar?
Como homem de frente, muitos podem ser induzidos a duvidar da capacidade de Josiel. Não é dos mais velozes, meio baixinho, com seus 1,74m, mas, nem por isso, deixa de ser goleador. Em algumas cidades do interior, ele seria conhecido como aquele típico “furador de gols”. E foi no interior do Rio Grande do Sul que ele começou a carreira. Passou por clubes como o Pelotas e o Inter de Santa Maria. Chegou ao Juventude em 2005 para a disputa da Série A, mas pouco apareceu.
Depois de disputar a Segundona pelo Brasiliense, Josiel foi contratado pelo Paraná Clube em 2007. Fez 11 gols no Estadual, anotou três na Libertadores e terminou como artilheiro do Campeonato Brasileiro, apesar do rebaixamento do time paranista. Com 27 anos, já sem muitas ambições com a Seleção, Josiel agora vai tentar a sorte no Oriente. Mesmo longe dos holofotes da bola, o artilheiro não precisa se preocupar. Seu nome já está marcado no hall dos goleadores do Brasil.
- Postado por: Breiller Pires às 19h23
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