Para o mundo vestir

O novo uniforme da Seleção, bem simples, que valoriza a tradição da camisa brasileira, foi lançado esta semana.
Mas o que chama atenção não tem muito a ver com design, detalhes ou atributos da amarelinha. A bola da vez é a Nike, fornecedora de material esportivo da Seleção.
A cada novo lançamento de uniforme, um espetáculo de promoção. O negócio da marca norte-americana é aliar sua imagem à figura de grandes craques, como Ronaldinho Gaúcho e Robinho.
Jogadores são mostrados como heróis, e os uniformes, bem destacados nas campanhas publicitárias, aparecem como as armaduras desses guerreiros dos gramados. Poético, mas é bem assim que a Nike vai conquistando o mundo.

Hoje, ela é a segunda empresa com maior participação no mercado de artigos esportivos. Perde apenas para a alemã Adidas. Mas olhando de forma mais ampla, a Nike pode ser considerada a maior do mundo.
A empresa, que já é fornecedora oficial de seleções como Brasil, Portugal e Holanda, adicionou Inglaterra e Suécia ao seu time de patrocinados, com a compra da Umbro, no mês passado. O negócio passou de R$ 1 bilhão.
Agora, com penetração no mercado inglês, o de maior potencial de compra da Europa, a Nike tem caminho aberto para chegar à Copa de 2010 em vantagem sobre a Adidas.
Há pouco tempo, a fabricante americana tentou tomar a seleção alemã da concorrente. O nacionalismo falou mais alto, e foi por pouco que a Adidas não perdeu um de seus investimentos mais rentáveis.
Na corrida imperialista pelos mercados do futebol, a Nike, mesmo com participação menor nas vendas de material esportivo, está à frente das concorrentes. O poder de barganha e o valor agregado à marca da empresa são determinantes na hora de fechar um negócio.
É como a Globo aqui no Brasil. Por mais que a Record ofereça milhões pela compra dos direitos de transmissão dos estaduais, a emissora carioca, mesmo pagando menos, continua com a preferência. Isso por que sua projeção no mercado dá boas vantagens comerciais aos clubes e à CBF que outras emissoras não são capazes de oferecer.
A Nike segue a mesma fórmula. Valoriza sua marca e escolhe os parceiros certos, os mercados mais vantajosos. E, sem muito esforço, vai ditando a moda no mundo do futebol, que gira cada dia mais ao impulso de euros e dólares.
- Postado por: Breiller Pires às 16h09
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