O povo quer ver futebol

É difícil imaginar um Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro sem uma modalidade tão praticada nas areias da Baía de Guanabara: o Beach Soccer.
Hoje, o futebol de areia, como é conhecido na língua portuguesa, já é filiado à FIFA. A modalidade conta, desde 2005, com a disputa de uma Copa do Mundo anual, sendo a última disputada por 16 países.
Apesar de uma modalidade relativamente nova, a versão praiana do futebol, que eclodiu em meados da década de 90, se expande por todo o mundo. Países como Bahrein, Nigéria, Polônia, Irã, Canadá, Tailândia e Ilhas Salomão são alguns dos que contam com confederações de Beach Soccer, e também já participaram de uma Copa nas areias.
Além disso, o futebol de areia ganha ainda mais notoriedade através do interesse da mídia pelo esporte. Bola rolando na praia é sinônimo de arena lotada. Como não podia deixar de ser, a televisão logo se encarregou de cobrir os campeonatos de Beach Soccer.
E a modalidade também se apropria do legado do próprio futebol dos gramados, esporte mais difundido e popular do planeta. No entanto, o famigerado Beach Soccer ainda não é modalidade olímpica, nem mesmo está na pauta dos Jogos Pan-Americanos 2007.
Os pré-requisitos para um esporte se tornar olímpico se concentram mais na esfera burocrática que no âmbito da popularidade. É necessário a modalidade ser filiada à uma entidade integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI), como é o caso da FIFA, e ser amplamente difundida pelo mundo (pré-requisito, diga-se de passagem, no qual o Beach Soccer se enquadra).
Porém, vai levar tempo para o futebol de areia constar no programa de uma Olimpíada. O lobby de dirigentes a favor de modalidades como o badminton e o boxe, por exemplo, é muito grande. Há ainda o agravante da limitação por modalidades em Olimpíadas. Em Pequim, só serão disputadas 28.
Aos amantes do futebol, seja ele jogado em qualquer terreno, resta torcer para que o Beach Soccer siga o caminho do futsal, que tem presença garantida no Pan Rio-2007 e, depois de muito tempo, tornou-se uma modalidade olímpica (apesar de não constar no programa das próximas duas Olimpíadas).
Mas que o futebol de areia vai fazer falta nas areias de Copacabana, em julho, ah, isso vai.
Participe da nova enquete do Rola Blog, sobre o Pan-Americano.
- Postado por: Breiller Pires às 23h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Compartilhe:
___________________________________________________
Disputa por pênaltis

Segundo o dicionário Houaiss, loteria é um “sistema ou maneira de distribuir prêmios entre os indivíduos de um grupo por obra da eventualidade” ou “negócio cujo desfecho é imprevisível ou parece ser determinado pelo acaso”.
Loteria, de acordo com outro amigo da língua portuguesa, o Aurélio, é “coisa ou negócio que depende de acaso”. Definição bem parecida com a do Houaiss.
Mas para que saber o significado de uma palavra aparentemente tão óbvia para o senso comum? Para chegar à resposta de uma divergência que há muito ronda os bastidores do futebol. Pênalti: sorte ou competência?
No último domingo, após o Vasco ser derrotado por 3 a 1 na disputa por pênaltis para o Flamengo, pela semifinal da Taça Guanabara, o técnico cruzmaltino, Renato Gaúcho, garantiu que pênalti é loteria.
Se voltar ao conceito de loteria apresentado pelo Rola Blog, Renato vai ver que sua equipe perdeu a disputa por uma obra do acaso. Puro azar! Sendo assim, ninguém pode ser culpado por uma eventualidade, como desperdiçar uma penalidade.
Entretanto, a maioria dos profissionais da bola discorda do ponto-de-vista do treinador vascaíno. Para eles, pênalti é competência. Vencer uma disputa por penalidades envolve intensa preparação física, técnica e psicológica.
O próprio Ney Franco, técnico do Flamengo, que avançou à final da Taça Guanabara com a vitória nos pênaltis sobre o Vasco, afirmou que o fator relevante para o sucesso nas cobranças foi o trabalho técnico executado com o goleiro Bruno.
Ney disse que sua comissão técnica estudou o estilo de cobrança de cada jogador vascaíno, e repassou as informações privilegiadas ao goleiro rubro-negro. Bruno pegou duas das quatro cobranças dos cruzmaltinos.
Sorte ou competência, a disputa por pênaltis mexe sempre com a emoção do torcedor. Grandes times, como o Brasil da Copa de 1982, já se deram mal nas penalidades. Goleiros se consagraram, ídolos viraram vilões.
Na marca da cal, o coração dispara. A torcida vive a máxima apreensão. Ali, é batedor contra goleiro. Não há mais a tal da coletividade, característica inconfundível do futebol.
A polêmica da loteria divide opiniões, que se contradizem, se completam ou se misturam. Se pênalti é sorte, pra que treinar penalidades? Se é competência, por que grandes craques também erram cobranças?
E se fosse você o juiz de uma partida decidida nos pênaltis, desejaria boa sorte às duas equipes ou diria, com segurança, “que vença o melhor”?
- Postado por: Breiller Pires às 19h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Compartilhe:
___________________________________________________
| |