Sem gás

Marco Etcheverry, um dos jogadores da saudosa geração boliviana de 94, já aposentado do futebol
Na última quarta-feira, o Santos venceu o Blooming, da Bolívia, por 5 a 0 e acabou se classificando para a fase de grupos da Copa Libertadores. Mas uma constatação foi evidente, até mesmo pelo mais empolgado torcedor santista: o time boliviano era muito fraco.
Hora nenhuma o Blooming ofereceu resistência ao passeio do Santos em campo. Parecia jogo entre um time de profissionais e outro de amadores em ascensão.
Indo um pouco além do confronto pela Libertadores entre brasileiros e bolivianos, quem não se lembra do primeiro jogo que a Seleção Brasileira perdeu em uma Eliminatória de Copa do Mundo? É, a derrota foi justamente para a Bolívia.
Nas Eliminatórias para a Copa de 94, os bolivianos conseguiram impor ao Brasil a primeira derrota na história da competição, por 2 a 0, na Bolívia. Acabaram se classificando para o Mundial dos Estados Unidos à frente até mesmo da Argentina.
Pela terceira vez o país estaria presente em uma Copa do Mundo. Aquela seleção da Bolívia, encabeçada pelos polivalentes Melgar, Sanchéz e Cristaldo, defendida em sua meta pelo goleiro Trucco, e liderada por um dos melhores volantes que a América do Sul já viu jogar, Etcheverry, é lembrada até hoje com saudosismo pelos bolivianos.
Desde então, a seleção verde e branco só faz sofrer seus torcedores. A Bolívia virou o “saco de pancadas” da América do Sul. De uns quatro anos pra cá, os bolivianos conseguiram herdar esse posto da emergente Venezuela.
Na última Eliminatória, para a Copa da Alemanha, a Bolívia terminou em último lugar. E as perspectivas não são animadoras para os vizinhos do Oeste.
No Sul-Americano sub-20, disputado este ano no Paraguai, os jovens bolivianos fizeram uma fraca campanha e conseguiram apenas uma vitória em quatro partidas.
No futebol local, então, parece que o nível técnico é ainda mais baixo. O Blooming, mencionado acima como um time fácil de se bater, foi campeão do último Torneio Apertura, uma competição equivalente à Copa do Brasil, aqui, e que dá ao vencedor uma vaga na primeira fase da Libertadores.
Se os times mais tradicionais da Bolívia, como Bolivar e The Strongest conseguiram perder para a frágil equipe “bloominiana”, é sinal que o futebol por lá, na Bolívia, anda mesmo mal das pernas.
Um futebol que antes se pautava pela raça e aplicação de seus jogadores, parece ter perdido o fôlego. Anda meio sem gás. E olha que gás, pelo menos nas reservas petrolíferas, nunca foi problema para a Bolívia.