O marketing de sentimento no futebol

Já discutimos o assunto no ano passado, mas não custa repetir: ser rebaixado nem sempre é um mau negócio.
Quem provou a escrita em 2009 foi o Vasco, rebaixado pela primeira vez em sua história à Segunda Divisão. O clube se planejou, traçou objetivos, incorporou profissionais gabaritados em todas as áreas e, sem dramas, retornou à elite.
O planejamento certamente não foi elaborado por Roberto Dinamite, ídolo e agora manda-chuva em São Januário. Como administrador, trata-se de um grande jogador de futebol. No entanto, sua experiência política lhe trouxe perspicácia. Escolheu as pessoas certas para fazerem o “trabalho pesado”.
Nesse contexto, três aquisições foram fundamentais para a reestruturação cruzmaltina: Dorival Júnior, treinador caro, porém competente; Rodrigo Caetano, diretor executivo que vem profissionalizando, de fato, o futebol do clube, e o publicitário Fábio Fernandes, responsável pelo departamento de marketing.
A administração caminhou em sintonia com o futebol. Os bons resultados do Vasco não se limitaram às quatro linhas. Novas receitas e ações estrategicamente voltadas para o torcedor reativaram a marca Vasco da Gama.
Com experiência de quem dirige uma das maiores agências de publicidade do país, Fábio Fernandes viu, na Segunda Divisão, a oportunidade de mexer ainda mais com o sentimento da torcida. A campanha “Ame-o e não o deixe” traduziu o que o Vasco espera do seu torcedor-consumidor daqui pra frente: fidelidade.
Implementado este ano, o Programa de Sócios do clube já conta com mais de 40 mil adeptos. E o segredo para gerar novas receitas, num cenário aparentemente desfavorável como o da Série B, é simples. O Vasco, enfim, se aproximou do seu torcedor. Como fez o Corinthians, em 2008.
Infelizmente, alguns clubes demoram e até esperam a queda para perceber que seu maior patrimônio – e uma das principais fontes de receita – é o torcedor.
A multiplicação do sentimento, pregada pelo Vasco em outra ótima campanha veiculada na internet, só é alcançada de mãos dadas com a torcida, que quer muito mais do que vitórias. Quer um clube que se identifique com ela. Quer um clube que, de forma recíproca, também lhe queira bem.
- Postado por: Breiller Pires às 20h56
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OLIMPÍADAS RIO 2016
Promissoras ainda que exóticas
 Maior astro do golfe, Tiger Woods deve marcar presença nos Jogos Rio-2016
O COI decidiu incluir duas novas modalidades no programa olímpico a partir dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016: golfe e rugby (ou rúgbi). Assim, a Olimpíada brasileira contará com 28 modalidades.
Futsal e futebol de areia, variações da paixão nacional, continuam de fora, mas as duas novatas – e até então exóticas para o esportista brasileiro – prometem preencher muito bem a lacuna.
Aliado ao turismo de eventos, o golfe já é um dos esportes mais atrativos no país, do ponto de vista econômico. Movimenta R$ 400 milhões por ano, atrai turistas aos grandes resorts e tem sido bastante requisitado no ambiente corporativo.
Serve como endomarketing ou porta de entrada para patrocínios e apoios institucionais que visam as classes A/B. Para manter um golfista competindo em alto nível, estima-se um gasto anual de R$ 25 mil. Modalidade para poucos, ainda.
Com a inclusão nas Olimpíadas, a Confederação Brasileira de Golfe espera um aumento expressivo na exposição de mídia da modalidade, favorecendo novos acordos comerciais e ajudando a popularizar, em todos os sentidos da palavra, o golfe pelo Brasil.
Já o rúgbi, apesar de praticado em 21 estados brasileiros, conta com apelo popular ainda menor que o do golfe. De acordo com o último censo divulgado pela Associação Brasileira de Rugby, a modalidade soma 4763 praticantes, contra quase 25 mil do golfe.
Os trunfos do rúgbi são os custos de equipamento e acessórios – mais baixos que os de um golfista –, a disponibilidade de espaço – um campo de futebol já serve como base de treinamento – e a alta popularidade do esporte pelo mundo.
A Copa do Mundo de Rugby é o terceiro maior evento esportivo do planeta, atrás apenas do Mundial de futebol e das próprias Olimpíadas. É transmitida no Brasil, através da TV a cabo, e pode ajudar a despertar, no mínimo, a curiosidade dos brasileiros por essa nova modalidade olímpica.
Quem ainda não está por dentro do rúgbi, pode conhecer um pouco mais sobre a modalidade na matéria produzida pelo RB para a série “Como o esporte gira em torno do mundo”.
Ou então, esperar até 2016, para ver nossos atletas em ação no estádio de São Januário.
- Postado por: Breiller Pires às 12h40
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OLIMPÍADAS RIO 2016
Barreiras invisíveis

Como citado no último post sobre Olimpíadas e megaeventos esportivos, as discussões sobre mudanças estruturais e sociais no Brasil, com a iminência da Copa 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016, têm se estendido cada vez mais.
No entanto, outros aspectos – não menos importantes – que envolvem investimento e legado estão sendo esquecidos em meio a tantas notícias e tuitadas sobre infra-estrutura, transporte e estádios para o país receber esses dois megaeventos esportivos.
O principal deles se refere ao planejamento do esporte brasileiro. Planejamento para formar atletas, reestruturar confederações e federações, massificar modalidades desconhecidas e, consequentemente, conseguir um melhor desempenho em medalhas e resultados em grandes competições.
A necessidade de um olhar mais atento em relação à conjuntura esportiva do país se reforça em cima dos quase 30 casos de doping de atletas brasileiros descobertos neste ano. Entre eles, a ginasta Daiane dos Santos e a triatleta Mariana Ohata. Atletas de alto nível, com currículo olímpico.
Não é à toa que o doping tem se tornado o maior pesadelo do Comitê Olímpico Internacional. Mesmo com os mais modernos mecanismos de controle antidoping, o registro de atletas “turbinados” não para de crescer. A indústria farmacêutica pró-doping encontra brechas, alicia treinadores e estabelece uma poderosa rede de interesses econômicos.
Em meio a esse ciclo de dopagem, encontram-se atletas de diferentes nacionalidades, consagradíssimos, como Maradona, a ex-velocista Marion Jones – que abandonou a carreira após escândalo de doping – e o tenista André Agassi, que confessou ter utilizado substâncias proibidas para competir nas Olimpíadas de 1996.
Tudo bem, o doping não tem fronteiras e atinge inclusive potências olímpicas. Mas cai muito mal para a imagem de um país emergente, sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo, ter tantos atletas na malha fina do antidoping.
Medidas preventivas devem ser redobradas, com urgência, pelos órgãos de fiscalização nacionais. Desde as competições de base aos campeonatos de grande expressão. Reflexões em torno do “boom da dopagem” no Brasil também são bem-vindas.
Será que os atletas não chegaram a um limite, e o doping parece ser a única saída para seguir competindo? O nível de exigência em treinamentos e competições aumentou tanto assim para que a dopagem seja tão requisitada?
Os atletas são devidamente instruídos em relação às substâncias proibidas? Empresários e agentes estão preparados para gerenciar carreiras dos esportistas profissionais brasileiros?
Começa por aí, pelo banimento do doping, a construção de uma política esportiva séria. Igualdade de condições é o princípio básico do esporte. Sede olímpica que se preze não pode fugir à regra.
- Postado por: Breiller Pires às 13h59
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ENTREVISTA: Julián Viáfara
Diante do paredão

O RB entrevistou o colombiano Julián Viáfara, goleiro e ídolo do Vitória. Depois de abandonar seu país para tentar a sorte no Brasil, ele encontrou refúgio na Bahia e um carinho todo especial da torcida rubro-negra. Viáfara fala sobre sua conturbada saída da Colômbia, do narcotráfico, da passagem pelo Atlético-PR à adaptação ao Brasil, além de revelar detalhes da convivência com um mito do futebol: René Higuita, ex-goleiro da seleção colombiana.
É verdade que você começou a carreira jogando na linha?
Verdade, comecei a jogar futebol como atacante. Depois, fui deslocado para a zaga. Era um péssimo zagueiro, sempre fazia gol contra. A ida para o gol aconteceu por acidente. No time em que eu jogava, precisavam de um goleiro. Como eu não faria falta na linha, me mandaram para o gol [risos].
Quando chegou da Colômbia, teve que adaptar alguma característica sua para o futebol brasileiro?
O goleiro, no Brasil, é muito exigido durante os jogos. O futebol brasileiro é rápido, dinâmico. Por isso, o goleiro precisa estar atento o tempo todo. A qualidade dos jogadores, bem melhor do que na Colômbia, faz com que eu tenha bastante trabalho em todas as partidas. Mas já me acostumei ao ritmo do jogo aqui.
Como foi sua passagem pelo Atlético-PR?
Acabei saindo do Atlético-PR de uma forma meio confusa, sem ter me firmado por lá. Quando cheguei, em 2007, fiquei quatro meses apenas treinando. Estava esperando regularizarem minha documentação, pois entrei na Justiça contra o América de Cali. Foi um momento bem difícil para mim. Havia ficado quase dois meses sem receber salário e mais de seis sem o fundo de garantia. Eu era o capitão da equipe, mas resolvi me desligar do clube e buscar novos ares. Queria recomeçar a vida no Atlético-PR, porque sabia da estrutura que eles têm.
E sou imensamente grato por ter sido o clube que me acolheu, me deu a chance de jogar num país que tem os melhores jogadores do mundo e me apoiou na luta pelos meus direitos contra o Cali. Mas, apesar de ter ganhado a posição no time titular, e levado o Atlético-PR à Sul-Americana naquele ano, acabei não sendo aproveitado na temporada seguinte.
E no Vitória, imaginava alcançar esse sucesso e essa relação de carinho com a torcida rubro-negra?
Vim para o Brasil em busca de um salto para minha carreira. Mas confesso que, quando saí da Colômbia, não imaginava ser tão reconhecido por aqui. A escola de goleiros do Brasil é muito forte. Grandes referências da posição são brasileiras. Porém, nunca perdi as esperanças. Batalhei muito para chegar onde estou. Sobre a torcida rubro-negra, não tenho o que dizer. Sou muito grato por tudo, principalmente pela acolhida que recebi desde o primeiro dia no Barradão. O apoio deles me motiva sempre.

Muitos rubro-negros dizem que você já é o melhor goleiro que passou pelo Vitória...
Olha, respeito muito quem diz que sou um ídolo, uma referência aqui. Fico lisonjeado. Mas, sinceramente, ainda não me sinto tudo isso que dizem. Preciso de uma grande conquista, como um Campeonato Brasileiro, para poder confirmar esse status de ídolo. Tenho muita coisa para fazer aqui no Vitória. Durante a minha carreira, sempre gostei de criar vínculos com os clubes em que joguei. Foram cinco anos de Independiente Medellín e América de Cali. Um ano e meio de Atlético-PR. Quero poder ficar muito mais tempo no Vitória para conquistar títulos de expressão, levar o time a Libertadores. Fazer com que o clube tenha fama muito além da Bahia.
Sua família se adaptou bem ao Brasil?
Foi difícil, mas se adaptou, sim. Gostamos bastante do Brasil, mas não foi fácil acostumar com o frio que fazia no Sul. Tenho uma filha, a Lua, que nasceu em Curitiba. Lá, ela sofria com problemas respiratórios. Chegou a ficar bem doente uma época. Aqui, em Salvador, as coisas mudaram. Ela está mais esperta. O clima e o povo daqui me lembram muito a Colômbia. Calor, festa, gente alegre, com energia... Nos adaptamos rapidinho à Bahia. Costumo dizer que sou mais um “baiano arretado”.
O clássico Ba-Vi também é arretado, né?
E como... No meu primeiro clássico contra o Bahia, levei um “frango” – como vocês costumam dizer por aqui – e o Vitória perdeu por 2 a 0. A final do Estadual deste ano foi como uma revanche pessoal para mim. Queria me redimir pela falha. Terminamos o primeiro tempo perdendo por 2 a 0. No começo do segundo, defendi uma bola cara a cara com o atacante do Bahia. Se o time tomasse aquele gol, o jogo estaria perdido. A defesa animou a equipe, conseguimos empatar o jogo e saímos com o título. Foi a partida que mais me marcou com a camisa do Vitória.
É o melhor momento da sua carreira?
Aqui no Brasil, sim. Vivo uma ótima fase. Só que já tenho mais de 13 anos de carreira como profissional. Tive bons momentos na Colômbia também, principalmente defendendo o América de Cali, onde fui capitão da equipe por muito tempo e bicampeão nacional. Seria ídolo por lá até hoje não fosse o problema com atrasos de pagamento.

E a seleção colombiana? Tem expectativa de ser convocado?
Acho muito difícil. Na Colômbia, jogador que entra na Justiça para lutar por seus direitos acaba ficando queimado. Os clubes se unem e fecham todas as portas. A confederação colombiana é conivente com isso. Quando acionei o América de Cali na Justiça, sabia que as portas dos clubes e da seleção estariam fechadas para mim. Não sei nem se volto a jogar em meu país algum dia...
Seria por isso que sua fama de “Paredão do Leão”, e a boa fase vivida no Brasil, não teriam chegado aos ouvidos do técnico da seleção colombiana?
Para se ter uma ideia, aqui, no Brasil, todos comentam sobre o momento que estou vivendo e, consequentemente, questionam o porquê de eu não estar na seleção do meu país. Mas, lá na Colômbia, não sai uma notícia sequer sobre meu trabalho. A imprensa não fala de mim. Citam outros jogadores que inclusive atuam no futebol brasileiro, como o Armero, do Palmeiras, mas, em relação a mim, nada. Fiquei marcado por ter brigado pelos meus direitos.
E não me arrependo de nada. Sei que dei um passo à frente, pois quero servir de exemplo para outros jogadores colombianos que também sofrem com salários atrasados em seus clubes. A situação no futebol colombiano é crítica. Os clubes não têm respeitado os direitos dos atletas nem como ser humano nem como trabalhador. Não dá pra aceitar tudo isso quieto, sem fazer nada.
No Independiente Medellín, você jogou ao lado de René Higuita, lendário goleiro colombiano. Herdou alguma coisa do estilo dele?
Tive esse prazer de jogar com o Higuita, no Medellín. Era reserva dele. Ele é um ser humano especial. Um grande amigo e uma referência minha no futebol. Ele nos encantava com suas brincadeiras e aquelas suas jogadas nos treinos, principalmente com a “Defesa do Escorpião”, que quase nos matou do coração no jogo contra a Inglaterra [risos]. Higuita me ensinou a ter coragem e ousadia. Como nossa escola é muito técnica, e exige que o goleiro saiba jogar também com os pés, essas virtudes são fundamentais. Enfim, Higuita é um verdadeiro craque. Aprendi muito com ele.
 No Medellín, clube que o revelou, Viáfara treinava ao lado de Higuita
Você também sai do gol de forma arrojada. Já se acostumaram com seu estilo no Vitória?
Demoraram, mas hoje já entendem melhor. Quando faço um drible lá trás ou saio da área com a bola nos pés, não é por brincadeira. É um recurso que tenho para auxiliar o meu time, participar mais ativamente do jogo. Na Colômbia, nos ensinam que o goleiro tem de jogar com os pés, mas, antes de tudo, precisa ser muito responsável.
E a responsabilidade aumenta ao saber da tradição do Vitória em revelar grandes goleiros, como Dida, Fábio Costa e Felipe?
Aumenta bastante, sem dúvidas. A escola de goleiros do Vitória é muito boa. Goleiros de seleção brasileira foram revelados aqui. Isso faz com que eu me esforce cada dia mais para honrar a tradição de grandes goleiros que já defenderam o clube.
Goleiros estrangeiros costumam se dar bem no Brasil, como o argentino Andrada, que inclusive passou pelo Vitória na década de 70. Também pensa em fazer história por aqui?
Sou uma pessoa muito tranquila. Não é do meu feitio traçar planos tão ambiciosos. Mas quero deixar meu nome marcado no futebol brasileiro, sim, como outros goleiros de fora já o fizeram. E, principalmente, representar o meu país. Por onde passo, tento mostrar que a Colômbia tem muito mais a oferecer do que costumam imaginar. É preciso limpar a velha imagem do país do narcotráfico e das Farc.
O nome “Viáfara” tem alguma relação com o cantor brasileiro Biafra? Não, não... [risos]. É um sobrenome comum lá na Colômbia mesmo, que herdei do meu pai Ramiro. Ele foi um volante dos bons. Defendeu a seleção e hoje treina a categoria sub-17 do país.
- Postado por: Breiller Pires às 17h53
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Várzea na TV
Em setembro, participei do programa Brasil das Gerais, da Rede Minas, tradicional emissora mineira. O tema da roda de discussão era futebol amador.
Fui convidado para falar do documentário produzido para a série “Como o esporte gira em torno do mundo”, sobre o futebol de várzea na capital e no interior do Brasil. Alguns trechos, inclusive, foram mostrados durante o programa.
O objetivo da série era justamente esse: mostrar que o futebol amador, e outras manifestações do esporte não privilegiadas pela mídia, podem e devem ser discutidos com maior profundidade. Seja na internet, no rádio, no jornal impresso ou na TV.
- Postado por: Breiller Pires às 16h30
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OLIMPÍADAS RIO 2016
Por um Brasil olímpico

As boas chances do Rio de Janeiro, comentadas aqui no Rola Blog, ano passado, se concretizaram. O Brasil vai mesmo receber os Jogos Olímpicos de 2016.
Sim, o Brasil. Muito se fala em “Olimpíada do Rio”, mas o mérito e os possíveis ganhos ao receber o maior evento esportivo do planeta vão para o país inteiro. Ou melhor, para um Brasil que tem a oportunidade de se tornar verdadeiramente olímpico.
Tudo bem que as principais intervenções urbanas e os investimentos estruturais estarão destinados à Cidade Maravilhosa. No entanto, o principal legado que se espera de um megaevento como esse é mexer com a cultura e, principalmente, a política esportiva de um país.
Claro que o Brasil atrairá uma porção de turistas, mais um bocado de investimento externo e um retorno de imagem no cenário internacional sem precedentes, ainda mais por ser sede, dois anos antes, de outro megaevento esportivo: a Copa do Mundo 2014.
Mas a essência da realização de uma Olimpíada é estimular a prática esportiva e criar condições (políticas, financeiras e organizacionais) para que o esporte seja valorizado e difundido como um bem social pelo país-sede. Não há dúvidas. Esse deve ser o legado prioritário pós-2016.
Muitos críticos da candidatura olímpica brasileira foram, de maneira pertinente, direto à ferida: a carência de uma política pública consistente direcionada aos esportes no país. A necessidade de profundas mudanças estruturais no esporte brasileiro é iminente. Nosso desempenho em Olimpíadas, por exemplo, ainda não condiz com nossa capacidade em revelar talentos e novos atletas.
A organização dos Jogos Olímpicos 2016 pode ser o efeito propulsor dessa mudança. Um megaevento esportivo funciona – ou pelo menos deveria funcionar, em tese – como um catalisador. É um instrumento de mudança para acelerar reformulações e projetos há tempos pretendidos pelo esporte brasileiro.
Quem acompanha o RB, sabe da minha posição a respeito de quem criticava a candidatura do Rio apenas sob o ponto de vista da “incapacidade da classe política tupiniquim”. De qualquer forma, não é hora de continuar atirando pedras. É hora de fiscalizar e cobrar as promessas do projeto olímpico. E, principalmente, pensar a longo prazo.
 No Pan, Arena Olímpica recebeu bom público para Argentina x Uruguai, no basquete
Do ponto de vista do marketing esportivo, podemos dizer que a conjuntura é mais do que favorável a novos investimentos no esporte. A demanda por profissionais qualificados da área vai ser grande nos próximos anos. Nada mais, nada menos do que os dois maiores eventos esportivos do mundo estão aí para o país organizar.
E a qualificação, pensando novamente em longo prazo, pode gerar uma boa efervescência no esporte brasileiro como um todo. Com profissionais preparados e especializados, modalidades que encontram dificuldade para captar recursos terão dirigentes capazes de elaborar um bom projeto de patrocínio, de planejar melhor ações de marketing para suas entidades e respectivos atletas.
Eventos e competições, no Brasil, serão cada vez mais organizados e, consequentemente, terão maior apelo diante do público e dos próprios investidores potenciais. Enfim, a especialização, de mãos dadas com um processo gradual de profissionalização do meio, tem tudo para mudar o cenário esportivo brasileiro.
Já do ponto de vista do debate, mesmo que o Rio de Janeiro perdesse a disputa, a candidatura teria servido ao menos para gerar discussão e reflexão no dia-a-dia do brasileiro sobre esporte – nessa conta não se inclui o futebol, ok?
Sem crítica nem debate consistentes, não há política pública, seja ela relacionada ou não ao esporte, que vá para frente. Rodas de bar, jornais e portais, Twitter e Facebook: #rio2016 dividiu opiniões, mas, principalmente, colocou o esporte brasileiro em evidência.
Que essa longa e sadia discussão – quando apresentados bons argumentos – se prolongue muito além de 2014, de 2016. E que a Copa do Mundo, sobretudo as Olimpíadas, sirvam para alçar nosso esporte ao patamar das grandes potências olímpicas.
- Postado por: Breiller Pires às 17h07
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Matemática do Galo
Num histórico de cálculos desanimadores, professores atleticanos podem celebrar, enfim, a boa fase em números*

Em 2004, o Atlético-MG sofreu no Campeonato Brasileiro. Só escapou da queda para a Segunda Divisão na última rodada, quando venceu o São Caetano por 3 a 0.
Foi daí que professores de matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - a maioria deles formada por atleticanos - tiveram a ideia de criar um software para medir as chances do Galo ser ou não rebaixado.
A ideia se transformou no projeto “Probabilidades no futebol”, que disponibiliza na internet, rodada a rodada, as chances de título e rebaixamento de diversos clubes em competições nacionais.
O software, em síntese, traça o perfil de cada time, baseado em seu histórico recente dentro da competição. Ou seja, se uma equipe conquista uma série de três vitórias seguidas, por exemplo, suas chances de título aumentam bastante.
Gilcione Costa, um dos idealizadores do projeto, explica que, no Brasileirão, um time que faz 2 pontos em média por rodada tem grandes possibilidades de título. Em contrapartida, um clube que soma menos de 1 ponto por jogo é fortíssimo candidato ao rebaixamento.
É o caso do Fluminense este ano, para a decepção de Marcelo Terra, único tricolor da turma. Até a 25ª rodada do Brasileirão 2009, o time das Laranjeiras somou apenas 18 pontos. Uma média que leva bomba do software: 0,72 ponto por rodada.
“O Flu não flerta mais com a Segunda Divisão. Já virou casamento. Só falta a benção do padre”, brinca Marcelo.
O programa também é capaz de projetar, inclusive, situações inesperadas por diversos comentaristas e jornalistas esportivos. Em 2006, por exemplo, previu, com três rodadas de antecedência, a classificação do Paraná para a Libertadores, apesar da boa vantagem do Vasco na tabela.
Só que a atenção desses professores sempre esteve voltada para as chances do Galo. O lançamento do projeto, em 2005, no entanto, acabou coincidindo com a queda do clube alvinegro para a Série B.
“Naquele ano, sofremos muito acompanhando o desempenho do Galo. Quando ainda faltavam 10 rodadas para o fim do Brasileiro, o programa já apontava mais de 90% de chances do time cair”, conta Gilcione.
Mas este ano, com a boa campanha do Galo no Brasileirão, os matemáticos esperam ver outros números no final do ano. “Desde 2005, essa é a primeira vez que o Atlético aparece com possibilidades reais de título”, afirma Bernardo Nunes, outro atleticano do grupo.
Gilcione ainda faz questão de apontar um dado, mais místico do que estatístico: “Nasci em 1971 e o Atlético foi campeão brasileiro. Agora, em 2009, meu filho nasceu e também vai ver o Galo levantando o troféu”.
Será? Acompanhe as chances do Galo e dos outros times que disputam o Brasileirão no site do projeto e tire a prova de que a matemática, pelo menos no futebol, não é nenhuma pedreira.
*Fotografia e colaboração: Denise Teixeira
- Postado por: Breiller Pires às 01h16
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COMO O ESPORTE GIRA EM TORNO DO MUNDO
O jornalismo esportivo que queremos

Chega ao fim mais uma série especial de reportagem do RB. Foram 15 postagens, nove temáticas, mais de 900 km rodados na produção das matérias, 320 minutos de vídeo para editar e uma missão ambiciosa: propor um novo modelo de jornalismo esportivo na web.
Infelizmente, num panorama geral, o que entendemos como jornalismo esportivo, hoje, limita-se basicamente ao universo do futebol. No Brasil, outros esportes têm pouquíssimo apelo na mídia, ainda.
A publicação da série especial de reportagem “Como o esporte gira em torno do mundo”, no Rola Blog, acena para possibilidades e perspectivas. É possível, sim, produzir conteúdo jornalístico relevante, exclusivo e analítico para a web, independentemente de estar relacionado ou não à esfera esportiva.
O que falta para o amadurecimento do jornalismo esportivo online é justamente o investimento em grande reportagem, com abordagens diferenciadas e que proponham mais discussões, levando-se em conta preciosos recursos disponíveis para a execução dessa tarefa.
Novas tecnologias digitais portáteis, como celulares, câmeras e gravadores MP3, e, principalmente, as mídias sociais espalhadas pela rede mundial de computadores. E essas foram as ferramentas – simples e acessíveis – utilizadas na produção da série especial.
Durante o período de publicação das primeiras reportagens, entre 23 de junho e 1 de julho, o Rola Blog registrou um aumento de quase 100% em sua média de visitantes diários.
Os leitores, que antes gastavam, em média, 3 minutos e 45 segundos navegando no blog, passaram a permanecer mais de 8 minutos diante do conteúdo da página.

A média de comentários por post subiu de 11,3 para 14,7. Isso em uma semana, no começo da postagem da série. No Youtube, só os mini-documentários sobre os bares de torcida em BH contabilizaram 8000 exibições.
Entretanto, os resultados quantitativos não são tão importantes quanto o retorno qualitativo proporcionado pela série: as discussões e a mobilização gerada em torno do esporte e de suas questões mais profundas - pouco retratadas na mídia, diga-se de passagem, incluindo a internet -, que envolvem sua relação com a sociedade como um todo.
O objetivo final de “Como o esporte gira em torno do mundo” é incentivar novos investimentos em reportagem e jornalismo esportivo aprofundado, voltados para a web como um modelo que dê conta da nova configuração imposta pelo meio virtual ao tratamento da informação.
Pois o esporte, só como exemplo, não se resume à vida pessoal do craque da Seleção ou a recordes e medalhas nas Olimpíadas. Trata-se de um fenômeno moderno de nossa sociedade que ainda carece de muito debate e mais profundidade em sua cobertura.
Falta tratá-lo como ele verdadeiramente é em essência. Esse universo paralelo que não deixa de girar em torno de nós.
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Quem quiser conferir o relatório completo deste projeto, desde sua fundamentação teórica à execução, é só baixar o arquivo em PDF de “Como o esporte gira em torno do mundo”.
A apresentação do projeto também está disponível em tópicos: case Rola Blog e jornalismo esportivo online 2.0.
- Postado por: Breiller Pires às 15h29
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