


Camisa do mês (maio)
Fotomontagem
Para o mês de maio, o Fashion Blog exibe três sugestões dos próprios rolablogueiros.
George Aires sugere a camisa da seleção venezuelana, “La Vinotinto”, como é conhecida pelos compatriotas de Chávez.
Já Guilherme (Cabeça) recomenda o uniforme do Copenhague, um dos maiores clubes da Dinamarca e o primeiro do país a disputar a fase de grupos da Champions League, em 2006.
Por fim, a cruzeirense Analize quer ver a camisa do time celeste na Libertadores estampada na vitrine. Pedido mais do que aceito!
Agora é só escolher qual das três leva a melhor nessa disputa.
Em abril, o terceiro uniforme do Flamengo, em homenagem ao remo do clube rubro-negro, foi o mais bem cotado, com 8 votos.
Deadline
Getty Images/Fotomontagem
A série “Blogs esportivos” termina por aqui. Durante todos esses dias de postagens, o Rola Blog tentou mostrar um pouco mais da nova e crescente blogosfera esportiva, ressaltando sempre àqueles que estão por trás da produção de conteúdo independente.
Foram 30 entrevistas com blogueiros de todos os cantos do país e do mundo, além de especialistas em marketing e internet. Ao longo da série, muitos blogs foram descobertos, lidos e relidos. E, conseqüentemente, algumas constatações ficaram bem claras.
A maioria dos blogueiros que trata de esportes o faz por pura paixão, na base da raça, do esforço diário para atualizar o blog e da superação da falta de tempo, a fim de contribuir com as diversas opiniões que circulam pelo universo esportivo.
Por outro lado, nota-se, também, que a mesma maioria sofre do “efeito borboleta da mídia”. Tudo que passa na TV ou está escrito nas editorias esportivas dos grandes jornais é reproduzido nos blogs.
Raras as exceções que se diferenciam completamente do conteúdo pautado pela imprensa. É aí que entram os blogs dos torcedores, que, por tratarem da paixão, do fanatismo, acabam saindo, com louvores, do lugar comum enraizado nas páginas esportivas da internet.
Talvez, o grande desafio dos blogs esportivos daqui pra frente é conseguir fazer algo diferente do que faz a imprensa, tão saturada e cada vez menos atrativa aos leitores.
Blog não é lugar para pautas, setoristas, hora do fechamento, muito menos para tomar “furo” nos acontecimentos da rodada do fim de semana. É lugar para novas idéias, abordagens diferenciadas, debate e expressão de pontos de vista distintos e propostas inovadoras para o esporte.
Não há porque concorrer com a grande imprensa, nem mesmo com outros blogs esportivos que se multiplicam pela rede. Infelizmente, muitos blogueiros ainda vêm o blog do vizinho como concorrente, e não como parceiro.
De fato, a blogosfera esportiva ainda tem muito o que amadurecer. E esse amadurecimento só vem através da troca de idéias, do debate, da colaboração mútua entre blogueiros e, até mesmo, dos próprios leitores.
Tendo sempre em vista a necessidade de fugir do senso comum, da pauta imposta diariamente pela mídia. Gente disposta e com potencial pra isso é o que não falta na blogosfera esportiva.
Ganhar dinheiro ou não, eis a questão
Getty Images
Mais que um espaço para a livre difusão de conteúdo individual ou coletivo, os blogs vêm se configurando como alternativa de lucro para os blogueiros.
Desde agosto de 2004, quando o Google lançou o Adsense, serviço de anúncios por meio de cliques pagos, direcionado a blogs e sites, o mercado publicitário na internet abriu espaço para autônomos e desconhecidos.
Com o Adsense, qualquer blogueiro pode incluir uma lista de links em sua página, agrupando anúncios relacionados ao conteúdo do seu blog. A cada clique dos leitores nos chamados “links patrocinados”, ele fatura entre R$ 0,01 e R$ 2,00.
Há, ainda, a opção por outras fontes de receita para o blog, como os programas de afiliados do UOL e do Submarino, além de um sistema semelhante ao Google Adsense, o HotWords, que veicula anúncios em palavras-chave contidas no conteúdo da página associada.
Tornar um site ou um blog economicamente viável ou, simplesmente, lucrativo, é a essência do processo que tem sido chamado de monetização. O termo já se popularizou pela internet e já conta, inclusive, com páginas especializadas em dar dicas e revelar segredos àqueles que almejam faturar uma graninha na rede.
No entanto, a jornalista e editora de conteúdo colaborativo da Editora Abril, Ana Maria Brambilla, acredita que os blogs, especificamente, não surgiram para ser fonte de receita, mas, sim, de conteúdo diferenciado. Segundo ela, o simples fato de ter um blog está longe de caracterizar em si uma atividade profissional.
“Não acredito que blogs sejam lugares para se ganhar dinheiro. Pelo menos, por enquanto. Blogar é um adendo - para não dizer um adereço - à vida profissional ou pessoal de qualquer pessoa”, afirma.
Para Brambilla, muitos blogueiros se preocupam mais em monetizar o blog em vez de trabalharem o conteúdo que postam diariamente. O que, de acordo com sua visão, inverte as etapas de produção na internet e acaba minando as boas idéias que surgem na rede.
“É a carroça na frente dos bois. Desde que se começou a falar em monetização, blogueiros de toda a estirpe, principalmente os iniciantes, trataram de criar um blog para lucrar à base de (...)? Bom, eles não sabem exatamente do quê. Afinal, muitos deles não sabem o que publicar naquele espaço”.
“Ou seja, primeiro vem o desejo de fazer dinheiro. Depois, a preocupação com o conteúdo a oferecer. O motor do desenvolvimento acaba sendo a monetização, não a qualidade do produto final”, argumenta a jornalista.
Nevblog.com
Persio Presotto, do Blog do PP, compara a monetização dos blogs ao merchandising feito por alguns jornalistas esportivos na televisão. Ele atenta para os limites éticos nessas práticas e ressalta o compromisso do blogueiro com o leitor:
“Escrever um texto sobre um clássico, por exemplo, e, no final, fazer menção a algum produto é antiético, um desrespeito com o leitor. Em lugar dos ‘merchans’, haveria espaço, talvez, para uma boa matéria sobre um assunto de interesse do público, como a corrupção no futebol”.
Já Arthur Virgílio, do blog Jogo Duro, até considera a possibilidade de fazer uma renda extra blogando. No entanto, ele afirma que ainda não encontrou a fórmula para começar a empreitada. “Já pensei em ganhar dinheiro com o blog, mas ainda não sei como. Quem souber, por favor, me avise”.
Talvez o argentino Guido Miñones, mentor do blog “El que no corre vuela”, possa dar uma dica ao Arthur. Não que ele ganhe dinheiro blogando. Porém, sabe de um blog que tem a fórmula do sucesso com a monetização na Argentina.
“Existe um blog esportivo por aqui que é excelente: o La-Redó. Há alguns meses, os donos do blog resolveram monetizá-lo. Como o blog é muito visitado, houve alguma repercussão. Tudo bem que eles não vivem só do blog, mas já é um avanço e me parece que estão indo bem”, conta.
O La-Redó alia anúncios do Google Adsense à venda de espaços para banners publicitários, como o da Heineken e do diário esportivo Olé. O blog é um dos mais visitados da Argentina e recebe cerca de 1000 comentários por dia.
O exemplo do La-Redó reflete de certa forma um maior amadurecimento do mercado publicitário argentino na internet em relação ao Brasil, que ainda não decolou no que diz respeito à propaganda na rede.
A partir dessa análise de mercado é que o editor-executivo da Máquina do Esporte, Erich Beting, avalia as possibilidades de investimento na internet brasileira:
“A internet começa, agora, a ser um lugar atrativo para investimentos publicitários. Teoricamente o espaço da rede é ilimitado. Porém, a busca por informação por parte dos internautas também é. Por isso, é preciso encontrar nichos interessantes de mercado para aí, sim, sair em busca de receita publicitária”, analisa.
Visão de marketing
Em entrevista ao Rola Blog, Beting avalia o panorama dos blogs
esportivos no mercado da internet e aponta limitações e potencialidades deste
recente nicho de informação na rede.
“Os blogs precisam conseguir respeito, audiência e
repercussão”
RB:
Na Europa, alguns clubes já contam com blogs mantidos por torcedores dentro de
seus sites oficiais. O blog é uma boa ferramenta para estreitar o vínculo entre
clube e torcedor?
EB: Sem dúvida. O interessante do blog é
que, nessa era de informação a qualquer hora e em qualquer lugar, ele cumpre um
pouco o papel da origem do jornalismo, que era a notícia passada de ouvido em
ouvido, com a versão de uma pessoa sobre aquele fato. O New Journalism norte-americano, que era
pautado pela isenção - ou tentativa de isenção -, vem sendo
reformulado.
O blog, então, acaba sendo a via de escape para ter informação,
mas com análise. E análise absolutamente pessoal, sem qualquer interesse
comercial envolvido. Por isso mesmo os blogs de torcedores acabam sendo ótima
ferramenta para ligar clube e torcida. Eles mostram ao torcedor a importância
que o seu pensamento tem para o clube.
Mesmo que os pedidos deles não sejam
atendidos, o torcedor se sente bem em saber que o clube abre espaço para ele
xingar o lateral-direito reserva no site oficial, por exemplo. E, além disso, o
bom blog de torcedor pode ser, também, uma fonte de informação até para
jornalistas. Isso gera proximidade para o clube não só com o torcedor, como
também com outros públicos.
RB: Blogs esportivos têm condições de chamar a
atenção de patrocinadores e mostrar que o investimento nesse nicho virtual vale
a pena?
NeoImages
EB: O processo é absolutamente lento. A própria internet começa,
agora, a ser um lugar para investimentos publicitários. Para conquistar
publicidade, os blogs precisam conseguir audiência, respeito e, também, causar
repercussão.
É
por essas e outras que o anunciante se aproxima. Só que, ao mesmo tempo, quando
isso acontece, a coisa muda de figura. O blog deixa de ser apenas um espaço
virtual para manifestação de pensamento e se torna um negócio. E aí é preciso
ter faturamento, estratégia, entrega etc.
Ainda
acho que um blog, quando parte para a disputa de anúncio com as outras mídias,
muda um pouco sua característica, que é a de ser algo puramente lúdico. E isso
significa mais trabalho para o blogueiro, além de apenas postar e dar fluxo às
discussões que surgem disso.
“O futebol toma conta de mais de 80% da TV aberta”
RB:
Muito se discute sobre os limites éticos que envolvem merchandising e
jornalismo. Como jornalistas esportivos consagrados, que hoje apostam nos blogs
como renda-extra, podem explorar a publicidade em suas páginas sem ter de abrir
mão da credibilidade?
EB:
Lembrando-se sempre do princípio básico de um veículo de
comunicação: o produto final não é o anúncio, mas a credibilidade. É a partir da
credibilidade da informação que um jornalista conquista espaço no
mercado.
E isso assegura audiência, que, por sua vez,
leva à publicidade. O começo é difícil, mas é preciso ter em mente que o
resultado vem no futuro. É preciso muito trabalho para se chegar a um Estadão,
uma Folha, uma Globo, um Grupo RBS.
RB:
A maioria dos blogueiros esportivos mantém suas páginas de forma amadora e,
ainda assim, o futebol é quem predomina no conteúdo dos blogs. Por que os
esportes olímpicos não ganham espaço sequer em páginas que não dependem de
faturamento nem de audiência para sobreviver?
EB:
Porque
infelizmente essa é a realidade midiática do país. O futebol toma conta de mais
de 80% de toda a programação esportiva na TV aberta, sem falar da TV fechada e
das rádios. Teoricamente o espaço da internet é ilimitado. Mas a busca pelas
notícias também é, e isso complica.
O
fato é que um blog bem montado, em termos de conteúdo, sobre esportes que não o
futebol, pode encontrar nichos interessantes de mercado e aí, sim, atropelar a
concorrência na busca por receita publicitária. O que precisa existir,
principalmente, são pessoas que disponham de tempo e interesse para discutir
outros temas além do futebol.
A
audiência será menor, é claro, mas a qualidade e a fidelidade do leitor podem
ser muito maior, o que no longo prazo gera todos os benefícios que a princípio o
blogueiro não se preocupa em ter, como audiência, receita publicitária
etc.
¡Soy Cuba!
Arquivo pessoal
Castillo posa para foto ao lado da judoca
cubana Estela Rodríguez, medalha de prata nas Olimpíadas de Barcelona-92 e
Atlanta-96
“A blogosfera cubana vem crescendo bastante. É diversificada e,
sobretudo, povoada, em sua grande maioria, por páginas enriquecedoras. Não há
muito espaço para futilidades, tampouco para os temas que empobrecem nossa
espiritualidade”.
Quem banca essa afirmação é o jornalista cubano José Raúl
Castillo, apaixonado por esportes e seguidor de carteirinha do beisebol
caribenho. Em agosto de 2006, Castillo se propôs a uma aventura. Criou um blog,
o Infodeportivas.
Pode parecer exagero, mas, segundo ele, ter um blog em Cuba é
realmente um desafio daqueles. O jornalista afirma que há diversos blogs
espalhados pela Ilha, porém, alguns fatores ainda limitam o crescimento da
blogosfera e da própria internet local.
“Esse bloqueio obcecado dos Estados Unidos a Cuba tem inegável
impacto em nossa internet. Eles negam a Cuba o acesso ao cabo de fibra ótica,
que possibilitaria um crescimento expressivo na transmissão de dados e na
qualidade de conexão”, alega Castillo.
Ele argumenta que o país depende de uma limitada conexão via
satélite, inviabilizando o acesso por parte de toda a sociedade cubana. Os
poucos que conseguem esse privilégio, ainda têm de racionar o tempo de
permanência na rede.
“Alguns
profissionais, como no meu caso, que sou jornalista, fazem um requerimento ao
governo e recebem uma cota de utilização. Eu, por exemplo, disponho de apenas 80
horas mensais. Logo, minha movimentação pela rede tem de ser muito rápida e
eficiente”.
Mesmo com menos de três horas diárias de conexão, Castillo arruma
tempo para atualizar o seu blog diariamente. Todos os esportes praticados em
Cuba ganham espaço no Infodeportivas. Mas quem ocupa lugar cativo, sempre, é o
beisebol. Até porque...
“A primeira coisa que um cubano faz na infância é jogar beisebol.
Só a genética para explicar. É o esporte nacional, assim como o futebol é no
Brasil”, explica.
Arquivo pessoal
Para quem pensava que esporte na Ilha de
Fidel se resume a beisebol e boxe, a bola corre solta pelos gramados
da pequena Santiago de Cuba num joguinho de
futebol
Questionado sobre os êxitos cubanos em diversos
esportes, Castillo acredita que a fórmula do sucesso está centrada em dois
pilares: massificação e políticas públicas voltadas para a prática
esportiva.
“De
um lado, temos uma política comprometida em colocar o esporte ao alcance de toda
a população cubana. Do outro, um sistema de instituições que abrange todo o
país, com aporte técnico de alta qualificação, encarregado de descobrir e
desenvolver talentos esportivos. Sem dúvida, se trata de um modelo bem
sucedido”.
Conexão
internacional
Clustr Maps
Fora do Brasil, cultura de blogs esportivos também
se espalha rápido e já conta com adeptos do mundo
inteiro
O jornalista espanhol, Rubén Uría, 32, é dono de um dos blogs de
futebol mais comentados na terra do rei Juan Carlos. “El Hacha de Rubén
Uría” surgiu, segundo o próprio autor, como
método de pôr em prática o hobby de falar e escrever sobre futebol. Hobby que os
mais de dez anos de militância no jornalismo haviam deixado
adormecido.
“Comecei com o blog para aliviar tensões do dia-a-dia e extravasar
minhas frustrações jornalísticas”, brinca.
Uría mora e trabalha em Madrid, capital da Espanha. Ele afirma que
dedica cerca de três horas por dia ao blog e que não ganha nenhum centavo com
isso. Mesmo assim, o jornalista acredita ser importante levar o projeto à
frente.
Para ele, a oferta de informação sobre esportes na Espanha anda
muito empobrecida e sem qualidade, o que faz com que leitores, ouvintes e
espectadores do país tenham de buscar outras opções em mídias diferentes.
Sobretudo na internet e, principalmente, nos blogs.
“Há exceções, mas, em geral, a imprensa esportiva espanhola deixa
a desejar. Conseguem piorá-la a cada dia. Ler algo interessante sobre esportes
nos jornais especializados é raridade. Quem quer qualidade tem de buscar nos
jornais generalistas. Jornais como As, Marca e Sport começam a entediar”,
avalia.
O jornalista acredita que os blogs esportivos espanhóis são uma
alternativa a esses jornais especializados que já têm alguma tradição no país e
diz, ainda, que a cultura blogueira, assim como no Brasil, é recente e não pára
de crescer.
“Temos muitos blogs esportivos por aqui [na Espanha], e cada dia
mais e mais. Aos poucos vai se formando essa cultura blogueira, que começa a
ganhar, inclusive, jornalistas consagrados”.
“Mas continuo achando que há muita gente postando com tanto
talento quanto os jornalistas e, em algumas ocasiões, com muito mais, diga-se de
passagem. Isso porque esses blogueiros escrevem com liberdade, sem rédeas”,
acrescenta.
Para avaliar a blogosfera esportiva e acompanhar sempre os novos
talentos que surgem pela rede, Uría resolveu criar em seu blog o “Ranking
Blogs”. Todo o mês, o jornalista vasculha uma centena de blogs esportivos, tanto
da Espanha quanto de outros países, e forma uma lista com os
melhores.
Um ranking sem muito critério formal. Vai de acordo com o gosto e
a preferência do autor. Para Uría, o melhor blog da rede no momento é o
“Diários de
Fútbol”, um blog espanhol que preza pelo trabalho
em equipe. São mais de 10 autores postando
diariamente.
Com o “El hacha...” na rede desde 2006, Uría revela que só agora
começa a criar um certo carinho pelo blog. Em meio a uma pilha de textos para
postar, e alheio às “dores de cabeça” para manter o espaço atualizado, o
jornalista valoriza acima de tudo o prazer em escrever sobre o que gosta e a
relação direta que mantém com seus leitores.
“Escrever sobre jogos históricos me agrada bastante. Relembrar o
futebol do passado é o que eu mais gosto, e acredito que os leitores também
gostem. É muito legal, também, sentir o ‘feedback’ de quem lê. Com isso, acabo
virando amigo de muitos leitores”.
ATRAVESSANDO A FRONTEIRA
AFA
“Futebol aqui na Argentina é paixão. Algo que eu duvido que vocês,
brasileiros, tenham (risos)”.
Quem vê um argentino afirmar isso com tanta convicção, logo pensa:
“mas que brincalhão, hein?”.
Porém, brincalhão é mesmo o melhor adjetivo para definir Guido
Miñones, 21. O argentino, que vive na cidade de Vicente López, localizada a 15
quilômetros da capital Buenos Aires, aproveitou seu bom humor para criar um blog
descontraído sobre futebol: “El que no corre vuela”.
Miñones conta que começou o blog em março de 2006. Segundo ele,
nessa época, os blogs ainda não eram moda na Argentina. Foi seu irmão Dario quem
sugeriu a criação do blog. Miñones, então, decidiu pôr a mão na massa – leia-se
mouse.
A princípio, ele afirma que era mais sério e contido nas postagens
do blog. Falava do futebol argentino em geral, sem deixar extravasar uma piada
sequer. Mas, como o blog costuma ser o reflexo da personalidade de um blogueiro,
o lado cômico de Guido Miñones não demorou a aflorar.
“Sempre gostei de tratar das coisas com alegria, com bom humor.
Fui dando uns toques mais divertidos no texto e, aos poucos, os leitores
começaram a comprar esse espírito. Hoje, de cada três posts, pelos menos dois
têm algum toque humorístico”, diz.
Miñones acredita que, apesar das boas performances argentinas em
outros esportes, como basquete, tênis e rugby, o futebol segue como prioridade e
paixão nacional. Ao contrário do que muitos pensam aqui no Brasil, os vizinhos
ainda não têm uma cultura tão multi-esportiva assim.
“Não dá pra negar que, depois das conquistas do basquete, há algum
tempo, e do rugby, no último ano, o futebol começou a dividir espaço com essas
outras modalidades. O tênis, também, sempre foi um esporte que agradou muito aos
argentinos”.
“No entanto, essas modalidades são coisa de moda. São vistas
apenas quando há Olimpíada ou algum campeonato mundial e, depois, ninguém mais
vê nos próximos quatro anos. O futebol é diferente. As pessoas acompanham, vão
aos estádios todos os finais de semana, largam tudo pelo futebol sem receber
nada por isso”, argumenta.
Com toda essa paixão, Miñones, que é torcedor do Huracán, só
poderia tratar mesmo de futebol em seu blog. Ele diz, entretanto, que não é só o
gosto pela “pelota” que o faz escrever. Assim como Rubén Uría, o argentino vê a
imprensa esportiva de seu país um tanto quanto superficial
demais.
Daí,
então, surge a motivação para manter o blog: a certeza de estar contribuindo
para uma abordagem mais rica e relevante do esporte
argentino.
“Por
aqui, hoje em dia, é difícil achar algo que preste na imprensa esportiva. O
principal diário do país [Olé], por exemplo, tem muito conteúdo inútil. É aí que
muita gente acaba optando pelos blogs, onde é possível encontrar pontos de vista
diferentes, que fogem da mesmice e da monotonia dos jornais
diários”.
Fã-clube também é
blog
Arquivo pessoal
Taty e o ídolo Lugano na porta do CT
são-paulino
A são-paulina Taty Rodrigues, 26, tem saudades de um forasteiro
que marcou história no Morumbi: Diego Lugano, o zagueiro campeão do mundo pelo
São Paulo em 2005.
Taty conta que é fã do uruguaio desde sua chegada ao Tricolor, no
começo de 2003. Quando teve seu primeiro contato com Lugano, no CT do São Paulo,
ela ficou ainda mais deslumbrada e resolveu criar um blog dedicado exclusivamente ao
zagueiro.
“Sou são-paulina desde criança. Meu pai sempre me levou aos
estádios. Lugano é o meu ídolo. É um ótimo jogador, que sempre deu muita garra
pelo São Paulo”, elogia.
Em
agosto de 2006, Lugano acabou vendido para o Fenerbahçe, da Turquia. Nem por
isso Taty deixou de acompanhar o ídolo. Para driblar os obstáculos da língua
turca, e manter o blog sempre atualizado, a blogueira conta com uma mãozinha
especial.
“Tenho que acompanhar os sites do Campeonato Turco para não perder
nenhuma notícia sobre o Lugano. A língua dificulta bastante o trabalho. Mas o
Samet me ajuda muito nesse aspecto”.
Samet Guzel, 22, é o intérprete de Zico e dos jogadores
brasileiros na Turquia. Além dele, Taty recebe ajuda do próprio Lugano para
alimentar o blog.
“O
Lugano sabe do blog. É o único que tem a aprovação dele. Sempre que pode, ele
mesmo me passa algumas informações. Consigo fotos com o fã-clube dele e nos
sites turcos. O próprio Samet e o Mehmetali, tradutor do site oficial do
Fenerbahçe em português, também me enviam muito material”,
revela.
Entre a admiração pelo ídolo e o amor pelo São Paulo, Taty fica
meio dividida, mas não esconde sua preferência:
“O Lugano é um ídolo. Aonde for, estarei sempre torcendo por ele,
independente do clube. Já o São Paulo é algo que trago comigo desde criança.
Sempre serei são-paulina. Se um dia o Lugano jogar contra o Tricolor, torço pelo
meu time, mas esperando, também, que o meu ídolo faça um bom
jogo”.
MELHOR DO MUNDO
Reuters
Outro ídolo da torcida tricolor que virou tema de blog é o
meia-atacante Kaká, eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa, no ano
passado.
Quem homenageia o craque é Érika Lima, 19, no blog Kaká e Carol
World, criado em março de 2006. Para quem não
sabe, Carol é a esposa do astro do Milan.
Érika explica que a admiração por Kaká surgiu logo quando ele foi
lançado ao time principal do Tricolor paulista, em 2001, na final do Torneio
Rio-São Paulo, contra o Botafogo.
Ainda
franzino, recém-saído das categorias de base, Kaká entrou no segundo tempo,
marcou dois gols e virou o placar para o São Paulo. Título inédito para a sala
de troféus do Morumbi. E Érika vira ali, naquele menino de apenas 18 anos, um
novo ídolo do futebol.
Moradora
de Itu, interior de São Paulo, ela não teve a oportunidade de conhecer Kaká
quando ele ainda jogava no Brasil. Chegar perto do ídolo e bater um papinho é um
sonho que ela pretende realizar logo, logo.
“Tenho
contato com parentes do Kaká e eles me passam fotos e novidades. Ele e a esposa
sabem do blog e até já comentaram por lá. Falo sempre com a Carol por e-mail.
Entre um jogo do São Paulo no camarote e conhecer o Kaká, ficaria em dúvida.
Mas, como fã, iria ver o ídolo”,
assume.